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quinta-feira, 8 de outubro de 2026

LIBER DE CAUSIS E O INTERIOR ANGÉLICO

A interioridade angélica, analisada de dentro, da presença de si, e da posse de si, foi uma temática tratada por grandes santos e doutores da Igreja, em especial o Doutor Angélico, título que recebeu Santo Tomás. Também se dedicaram a este tema Karol Wojtyła, Cornelio Fabro, Bernard Lonergan, Edith Stein e muitos outros. “Eu Sou” se revela a Moises por um anjo na sarça, e se revela a humanidade por um anjo na Anunciação.

As muitas reflexões de São João Paulo II sobre os anjos foram um ciclo de catequeses proferidas durante as Audiências Gerais nas quartas-feiras, entre 9 de julho e 20 de agosto de 1986, as quais constituem rico material teológico. Ele também mencionou os anjos em homilias específicas de outras ocasiões, como por exemplo na beatificação de São João Batista e São Jacinto realizada em 1º de agosto de 2002.

Karol Wojtyła abordou “A criação dos espíritos puros: a fé na existência dos seres invisíveis ("criador do céu e da terra, de tudo o que é, visível e invisível", baseada no Credo Niceno-Constantinopolitano). Descreveu também “o livre-arbítrio dos anjos: Como os anjos receberam a inteligência para conhecer a verdade e amar o bem por meio de uma escolha livre, a “prova moral e a divisão: A decisão fundamental de amor e obediência a Deus versus a rejeição ou orgulho que levou à rebelião de Satanás e dos anjos caídos”, a “ missão dos anjos e arcanjos: o papel dos seres celestes e dos Arcanjos (Miguel, Gabriel e Rafael) como mensageiros, guardiões e guias na história da salvação, e por fim abordou a “luta espiritual e a vitória de Cristo: a presença da providência e o triunfo definitivo de Cristo sobre o mal”, ou seja, um tema extremamente rico na teologia católica.

Daniel e Carolline, começam o tema em seu Instituto de Roma com a seguinte indagação:
Se a reditio completa do Liber de Causis em Tomás de Aquino faz a substância espiritual retornar a si mesma sem esgotar-se na exterioridade, e se a autoconsciência do anjo na Suma Teológica, I, q. 56 é imediata e transparente (mas fixada em um único ato eletivo), em que medida a “libertação” da liberdade de indiferença criticada por Cornelio Fabro e a auto-apropriação de Lonergan evitam que a autodeterminação pessoal (em Wojtyła e Stein) se converta numa nova clausura imanentista, incapaz de distinguir o “dentro” psicológico/ranscendental da habitação teologal descrita por Agostinho (onde o sujeito só possui a si mesmo na exata medida em que se descobre descentrado por Alguém que é mais interior a ele do que ele próprio)?

Daniel e Carolline (2026) afirmam que ao fazer a “definição de pessoa, por mais exata, ainda a descreve por fora, pois, a pedra é, mas não se possui. A pessoa é o único ser que se dobra sobre si mesmo, que sabe que é e se decide a agir”. Dessa forma afirmam eles que o ponto principal é que “ser pessoa não é apenas subsistir, mas possuir-se, isto é, conhecer-se e determinar-se, e que o anjo é a autoposse em estado puro”.

Eles definem ainda que “a interioridade cresce na proporção da imaterialidade, o espírito angélico é todo «dentro», transparente a si mesmo, numa plenitude que no homem permanece velada pela carne e dispersa no tempo”.

O Apóstolo Missionário, São Paulo afirma em Coríntios que a interioridade como ter um «dentro» e a consciência moral como seu sinal. Cf. 1Cor 2,11.

A Liber de Causis, Livro das Causas, exerceu imensa influência sobre pensadores medievais, como Santo Tomás de Aquino, que escreveu um importante comentário sobre a obra em 1272 e Meister Eckhart.

Daniel e Carolline (2026) descrevem que “depois, a reditio completa do Liber de Causis, retomada por Tomás de Aquino como raiz metafísica da autoconsciência, e a interioridade de Agostinho em De vera religione, nos Solilóquios e nas Confissões, como presença a si e abertura a Deus e imagem da Trindade”. Cf. At 17,28.

A temática da autoconsciência angélica é tratada na Suma Teológica, I, q. 56, Karol Wojtyła trata da autodeterminação, autoposse e autogoverno, também é estudado pelos teólogos a crítica à liberdade de indiferença de Cornelio Fabro, a auto-apropriação de Bernard Lonergan, o núcleo da pessoa em Edith Stein e o ato único que fixa o anjo para sempre, afirmam Daniel e Carolline (2026).

É preciso compreender que “a interioridade não é narcisismo”, mas “o caminho em que a pessoa se atravessa e encontra Deus, e por que a liberdade não se mede pelo número de opções abertas, mas pela capacidade de aderir ao bem”, afirmam Daniel e Carolline (2026), o autoconhecimento de si mesmo também é tratado por muitos santos doutores, entre eles São Francisco de Sales em Filoteia e Santa Tereza D”Ávila em Moradas.

Portanto, é necessário enxergar a dimensão magisterial e dos santos doutores que “o anjo, espírito que se conhece sem sombra e decide sem divisão, serve de espelho para a vocação humana ao recolhimento e à posse de si”, para eles “possuir-se é a condição para poder dar-se, e a liberdade angélica consumada como dom de si no amor”.

SALVE MARIA SANTÍSSIMA!

 

REFERÊNCIAS

ANGEOLOGIA/DEMONOLOGIA. Pós graduação em Angeologia e Demonologia. Locus Mariologicus/ Faculdade São João Paulo II (FAJOPA)

TOMÁS DE AQUINO, Santo. Suma Teológica. Tradução de Alexandre Correia. São Paulo: Paulus, 2001.

TOMÁS DE AQUINO, Santo. Tratado sobre as Substâncias Separadas. Tradução de Luiz Astorga. Rio de Janeiro: Sétimo Selo, 2006.

ÁVILA, Tereza de. Castelo interior ou moradas. Rio de Janeiro: Editora Vozes, 2024. 

FRANCISCO, DE SALES, Santo. Filoteia: introdução a vida devota. Petrópolis: Vozes, 2024.

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quarta-feira, 23 de setembro de 2026

MALDITA É A FIGUEIRA ESTÉRIL (Diác. Gabriel Batista)

Montfort (2010, p.59) que “Jesus Cristo amaldiçoou a figueira estéril” e também “condenou o servo inútil, que não tinha feito render o seu talento”, lembrou ainda que nós “devemos viver, trabalhar e morrer para este Homem-Deus [...] por esta razão o Espírito Santo nos compara a “árvores plantadas ao longo das águas da graça [...] “aos ramos de uma videira de que Jesus Cristo é a cepa” [...] “a um rebanho de que Jesus Cristo é o pastor, e que se deve multiplicar e dar leite” [...] “a uma terra boa onde Jesus Cristo é o agricultor.

Nos lembra o Catecismo da Doutrina Cristã de São Pio X (1912), que insere o n. 59 “para tratar dos demônios como anjos caídos por orgulho, ou seja, o mal não tem origem substancial, nasce da liberdade criada”, por isso nós temos a liberdade de ser figueira estéril ou um servo inútil, no final sempre será entre nós e Deus, que nos “ama pessoalmente e incondicionalmente”, afirmou Dom Osvino Both, no retiro dos diáconos do OMB, em Brasília.

Por pura preguiça não servir ao Senhor, por si só já é estar afastado d’Ele, ou como disse Santo Agostinho em Confissões “a preguiça deseja uma espécie de repouso: mas que descanso seguro existe além do Senhor?”, talvez assim, servindo ao Senhor, o nosso coração não fique inquieto enquanto n’Ele não repousar. Parece claro que Jesus espera receber algum fruto de nosso servir, “eu e minha casa serviremos ao Senhor”. Cf. Js 24, 15, ou como nos diz o evangelista Lucas “servir ao Senhor em justiça e santidade todos os dias de nossa vida”, e ele diz claramente que este servir é “todos os dias de nossa vida”. Cf. Lc 1, 74s.

A luz de Montfort (2010, p.59 e 60), é necessário um perfeito entendimento do ser servo e ser escravo. O primeiro a pessoa serve por algum tempo a base de salário, modalidade bem comum em nossos tempos, o segundo depende inteiramente doutra, por toda uma vida, e há três tipos de escravidão elencados por este santo mariano, as escravidões: natural, forçada e voluntária. Diz o santo que a primeira todos somos, uma vez que a Sagrada Escritura diz que “ao Senhor pertence a terra e tudo o que ela encerra”, a segunda é a dos demônios e dos condenados, e a terceira pertence a categoria dos justos e dos santos.

Sales (2024, p. 24) nos recorda que “as almas generosas vivem no mundo sem impregnar-se de seu espírito”, pois no mundo teremos aflição nos lembra o Mestre, devemos amar e servir, como o fizeram os grandes santos, consumiram-se tal qual uma vela por toda a vida.

Também Montfort (2010, p.59 e 64), nos ensina o modo deste servir de modo santo ao afirmar que “[...] é pois da mais alta importância, para alcançar a perfeição – que se consegue pela união a Jesus Cristo – nos esvaziarmos daquilo que em nós há de mau, ou seja ‘sermos santos com Deus é santo’. O santo mariano ainda nos aponta que “devemos ser de Jesus Cristo e servi-lo [...] por efeito de um grande amor, se entregam e se dão ao seu serviço na qualidade de escravos, só pela honra de lhe pertencer.

Reforça ainda este conceito Ávila (2024, p. 38), esta grande doutora da Igreja, “ah! Senhor meu! Aqui a única esperança é a vossa ajuda, sem a qual nada se pode fazer”. Também um filósofo, advogado e político Marco Túlio Cícero (106–43 a.C.), ficou muito conhecido como um dos maiores advogados e oradores da Roma Antiga, famoso por sua eloquência e defesa enérgica em tribunais que encantavam as pessoas, ele também atuou intensamente nos altos cargos da República Romana, alcançou o posto de cônsul em 63 a.C. e era um defensor das instituições republicanas durante a crise que antecedeu o Império, trabalhou a filosofia das virtudes, tão necessárias em nossos tempos, em sua célebre frase “sejamos pobres em riquezas, mas ricos em ouro de honra”, Cicero (2021, p. 13). e não pode haver honra maior do que servir ao Senhor Deus Todo-Poderoso.

 

REFEÊNCIAS

ANGEOLOGIA/DEMONOLOGIA. Angeologia conciliar. Pós graduação em Angeologia e Demonologia. Locus Mariologicus/ Faculdade São João Paulo II (FAJOPA)

AGOSTINHO, Santo. Confissões. Tradução de Frederico Ozanam Pessoa de Barros. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2017. 

ÁVILA, Tereza de. Castelo interior ou moradas. Rio de Janeiro: Editora Vozes, 2024. 

CÍCERO, Marco Túlio. Para saber envelhecer e a amizade. Jandira, SP: Principis, 2021.

FRANCISCO, de Sales, Santo. Filoteia: introdução a vida devota. Petrópolis: Vozes, 2024.

MONTFORT, São Luís Maria Grignion de. Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem. São Paulo: Paulus, 2010.

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terça-feira, 15 de setembro de 2026

O JULGAMENTO FINAL E A DOUTRINA DO PURGATÓRIO (Diác. Gabriel Batista)

Como Membro da FDMD – Fraternidade Discípulos da Mãe de Deus – que tem por carisma a escatologia, sempre refletimos se purgatório deixará de existir após o Juízo Final? A Escatologia, primeira disciplina que lecionei no Seminário São Pedro em Natal, também conhecida por “Novíssimos” ou “coisas derradeiras”, nos dá dimensão destes dias finais da humanidade. Segundo Schneider (2012, p. 339), “no Símbolo dos Apóstolos – a ressurreição dos mortos e a vida eterna – são a última explicação da fé”. O autor aborda que a consumação do indivíduo, pessoal, e incondicional é tratada na “Escatologia individual”, enquanto que a consumação da humanidade, ou mesmo do mundo será tratada na Escatologia Geral dentro da Teologia Dogmática.

Para responder vamos usar como fonte Teológica o Magistério, o Catecismo da Igreja Católica, os Concílios Ecumênicos e as fontes Bíblicas. Quando Jesus voltar na Parusia, a Sua segunda vinda, a história humana chegará ao fim, os mortos ressuscitarão e o purgatório será totalmente esvaziado. Logo, a partir desse momento, existirão apenas dois destinos eternos para a alma o Céu, para aqueles que estão salvos e o Inferno para os condenados eternamente.

          Nos fundamentos bíblicos, vemos Já no Livro do Gênesis que Deus nos apresenta a Terra prometida para seus servos Abraão e Moisés. Já nos tempos de Jesus, começa a esperança do Messias e a libertação, que acreditavam os judeus seria das tropas estrangeiras, afirma Schneider (2012, p. 333s).

A Bíblia nos mostra que o fim dos tempos separará o mundo em apenas dois lados: o das ovelhas e dos cabritos, ou seja, aqueles que estão salvos e os que foram condenados.

Em Mateus 25, 31-46, nós vimos que Jesus aborda o Juízo Final. Ele diz que os benditos irão para o Reino do Pai e os malditos para o fogo eterno, mostrando que restam apenas duas opções.

O apóstolo das missões, Paulo, afirma em 1 Coríntios 3, 13-15 de um fogo que prova a obra de cada um. A teologia entende que essa purificação acontece no decorrer da história, no purgatório, mas cessa quando a eternidade total for estabelecida. Os nossos irmãos separados não acreditam que exista o purgatório em momento nenhum, nem antes, nem depois do Juízo, e defendem que a alma vai direto para o Céu ou Inferno logo após a morte, mas muitos foram os momentos que Jesus nos disse “não sairás de lá até que pagues o último centavo”.

          Na abordagem histórico-dogmática podemos nos fazer uma pergunta: o que de verdade acontecerá no Juízo Final? Aprendemos com a nossa Santa Doutrina que o purgatório é temporário, que ele serve apenas para purificar as almas dos que estão salvos e que morreram com pequenas imperfeições antes da volta de Jesus.

Porém, nos fins dos tempos, teremos o Juízo Final, e ele marcará o fim do mundo atual como o conhecemos. Como toda a história humana será finalizada, não haverá mais necessidade de um estado intermediário de limpeza. O Padre Arminjon (2021) afirma que o purgatório também será ocupado pelas almas condenadas nos tempos finais como o novo inferno.

De certo que os destinos definitivos, após a segunda vinda de Cristo, ocorrerá que todas as almas que estavam no purgatório terminarão sua purificação antes ou exatamente no momento da vinda de Jesus e entrarão na glória do Céu. A humanidade será dividida em definitivo.

Também o Magistério da Igreja já se debruçou sobre esta temática, e para  entendermos essa reflexão escatológica, a Igreja Católica se baseia em seus documentos oficiais e na Bíblia, vejamos:

Aprendemos no Catecismo da Igreja Católica, que é o documento oficial da doutrina católica, que ele  explica afirmando ser “o Juízo Final é o momento da palavra definitiva de Deus sobre a história”, e isso decorre em seus parágrafos 1038 “A ressurreição de todos os mortos, ‘dos justos e dos injustos’, antecederá o Juízo Final”, logo, isso significa que todos recebem seus corpos de volta para o destino eterno final, iremos para o céu ou inferno em corpo e alma, já no parágrafo 1040, ele explica que no Juízo Final, Cristo “pronunciará então a sua palavra definitiva sobre toda a história”. Os bons irão para a vida eterna e os maus para o suplício eterno, sem menção ao purgatório após esse dia.

Também os santos Concílios Ecumênicos trabalharam a doutrina do purgatório que foi detalhada e confirmada em especial dois dos grandes encontros de bispos na história. O primeiro deles foi o Concílio de Florença que ocorrera em 1439, e o Concílio de Trento realizado em 1563). Estes concílios afirmaram que o purgatório é uma “purificação final” apenas para as almas que partem desta vida antes do último dia.

Como reflexão sistemática, fFeita com base na Tradição, Escritura e Magistério, afirma Schneider (2012, p. 364) que a “Escatologia não tinha interesse no curso da história, mas apenas de seu fim”, e que para Bultmann o momento escatológico seria a vinda de Cristo.

          Afirma ainda Schneider (2012, p. 364), que a fé e a esperança estão fundamentadas “na fidelidade de Deus, que mantém sua Palavra de Promessa”. Também para Karl Rahner “o reino de Deus é feito de Deus, ele virá e porá um termo na história e a guardará”. Também definiu a Confissão Sinodal de Würzburgo que “nós cristãos esperamos pelo novo homem, pelo novo céu e a nova terra na consumação do Reino de Deus”.

          Afirma ainda Schneider (2012, p. 372), que o “fim do mundo não é a sua destruição, mas sua consumação”, e que esta consumação se dará pela vinda de Cristo.

Portanto, o Juízo Particular é uma sentença individual e espiritual, enquanto o Juízo Final é uma confirmação pública, pois pecamos publicamente na presença de Deus que está em todo lugar, corporal e definitiva dessa mesma sentença para todo o universo ver.

          Que Maria Santíssima nos ajude, interceda por nós, para ao chegar a esse dia terrível para muitos, vamos gozar em Deus, no céu com sua visão beatífica pela eternidade.

REFERÊNCIAS

AMORTH, Pe. Gabriele, Rodari, Paolo. O último exorcista: minha batalha contra Satanás. Campinas – SP: Ecclesiae, 2012.

ARMINJON, Charles. Do fim do mundo, dos sinais que o precederão. Osasco – SP: Domine, 2021.

CIC. Catecismo da Igreja Católica. São Paulo: Edições Loyola, 2006.

SCHNEIDER, Theodor. Manual de Dogmática. 5ª Ed. Petrópolis – RJ: Vozes, 2012.

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segunda-feira, 7 de setembro de 2026

O DEUS DA FÉ E O DEUS DOS FILÓSOFOS (Diác. Gabriel Batista)

A filosofia fundamental une a fé cristã e a razão humana, mostrando que acreditar em Deus é um ato inteligente e não uma escolha cega. Segundo Ratzinger (2005), o cristianismo antigo rejeitou os mitos e escolheu a razão, focando no Logos (a Razão criadora) e no "Deus dos filósofos". Para ele, a filosofia garante que a religião não vire um mero sentimento, pois a fé precisa da verdade e vê em Jesus Cristo a própria Verdade em forma humana. Por outro lado, Fisichella (2017), foca nessa filosofia como uma ponte de diálogo entre a revelação de Deus e a inteligência do homem. Ele defende que a fé deve responder às grandes dúvidas humanas, como o sentido da vida e da dor, usando ferramentas lógicas para provar que ter fé é uma atitude totalmente razoável e digna.

Para Fisichella (2000, p. 11) a Teologia Fundamental é “o estudo do evento da revelação cristã e de sua credibilidade”, pois, como disse o apóstolo missionário “e eu estive convosco em fraqueza, e em temor, e em grande tremor. E a minha palavra, e a minha pregação, não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração do Espírito e de poder; para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria dos homens, mas no poder de Deus." Cf. 1 Cor 2, 3-5.

Afirma Ratzinger (2023, p. 23), que “o termo apologética é definitivamente abandonado e substituído pela Teologia Fundamental, disciplina que se tornou, assim, um dos eixos da formação teológica”.

Diz Rudy Albino que Ratzinger começara a sua vida dedicando-se a Teologia Fundamental, tratando das relações entre a fé e a razão, que culminou a elevar o mesmo a ser professor catedrático da Universidade de Bonn na Alemanha, também foi ele que se dedicou quase exclusivamente a Dei Verbum no Concílio Vaticano II.

Ao tratar do Deus da fé e o Deus dos filósofos, Ratzinger dialoga com Santo Tomás de Aquino, Blaise Pascal e Emill Brunner. A Teologia Fundamental, para Eduardo Sell, “é uma disciplina de fronteira na qual a relação entre a fé e a razão – ou da credibilidade de fé, para usar uma fórmula de síntese”, a qual constitui uma de suas características fundamentais.

Para Ratzinger (2023, p. 15), o “Deus da fé e o Deus dos filósofos podem lidos, estudados, tanto pelo ângulo da fé (teologia), quanto pelo âmbito da razão (filosofia)”, pois, para ele sempre existirá uma forte relação entre a “faculdade imanente da razão humana e a abertura transcendente que o ato de crer possibilita”.

Ratzinger (2023, p. 16), começa a estudar, refletir, aprofundar-se na Teologia Fundamental sob a espiritualidade de São Boaventura, e sob os estudos de Emill Brunner, o personalismo filosófico de Max Scheler, a tradição teológica de Santo Tomás e de Santo Agostinho. São profundas as suas reflexões, em especial sobre a “Introdução ao cristianismo” publicado em 1968. Para mim, uma opinião particular, Ratzinger é o maior filósofo da contemporaneidade.

Ainda segundo Ratzinger (2023, p. 18), os combates ideológicos sempre estarão presentes no mundo, o que nos obriga a sempre estudar, aperfeiçoar, escrever e publicar obras, pensar em formação permanente como nos lembra sempre Dom João Santos Cardoso, e foi isso que ocorrera nos tempos da “suma contra os gentios” de Santo Tomás de Aquino, eclodindo também na Era Moderna, quando a Teologia Católica se “vê confrontada com a Reforma Protestante e o Iluminismo” fazendo crescer a Apologética como “disciplina específica da Teologia”.

Epiteto afirmava que “a condição característica de um filósofo é a seguinte: ele espera toda vantagem e todo mal de si mesmo”, o que nos obriga a ler, estudar e aumentar a fé pela razão como nos mostra Santo Agostinho em uma conversão intelectual.

Logo, o Deus da fé e o Deus dos filósofos, na visão de Ratzinger (2023, p. 21), poderia ser definido com esta expressão sua de que “razão e fé não formam, portanto, um binômio, mas uma unidade”.

 

REFERÊNCIAS

EPITETO. O manual de Epiteto e uma seleção de discursos. Jandira, SP: Principis, 2021.

FISICHELLA, Rino. Introdução a teologia fundamental. Tradução de João Paixão Netto. 5. ed. São Paulo: Loyola, 2000.

LATOURELLE, René; FISICHELLA, Rino (org.). Dicionário de teologia fundamental. Tradução de Luiz João Baraúna. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 2017.

RATZINGER, Joseph. O Deus da fé e o Deus dos filósofos: uma contribuição para o problema da teologia naturalis. Rio Bonito: Escola Ratzinger & Editora Benedictus, 2023.

RATZINGER, Joseph. Introdução ao Cristianismo: palestras sobre o Credo Apostólico. São Paulo: Loyola, 2005


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sábado, 29 de agosto de 2026

EXORCISMO: UMA AUDIÊNCIA COM SATANÁS (Diác. Gabriel Batista)

Em sua obra “O último exorcista”, Padre Amorth (2012, p. 94) diz que ao fazer um exorcismo, esta é uma ‘audiência com Satanás’, em especial quando aborda o “ritual de exorcismo”, e por vezes ele é obrigado a responder e dar informação que ajudam os exorcistas, diz também que “Jesus foi o primeiro grande exorcista”, o demônio estava escondido, mas com a vinda de Jesus ele foi claramente retirado de seu esconderijo, por isso tantas vezes, muito mais do que no Antigo Testamento, ele aparece no Novo Testamento. Foi retirado das sombras, e mostrado ao mundo a sua maldade, motivo pelo qual o Santo Padre Leão XII formulou a oração contra este ser perverso.

O termo hebraico "malak" - מלאך, - e a palavra grega "angelos" ἄγγελος, tratam da angeologia dos seres criados por Deus como espírito, mas em dado momento decaíram. Sobre a etimologia para palavra, O termo hebraico "malak" - מלאך, - aparece na Sagrada Escritura 213 vezes, e a palavra grega "angelos" ἄγγελος aparecem 175 vezes, logo são apresentados fartamente.

Lembra-nos nosso primeiro pontífice em sua carta, para nos alertar sobre o inimigo de Deus, “Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar”, Cf 1Pd 5, 8. Também Jesus ppr três vezes chama Satanás de “príncipe deste mundo”.

Padre Amorth (2012, p. 79), lembra que “os exorcistas carregam o peso dos demônios que expulsaram [...] e sobretudo, seguem importunando a quem ajudou a expulsá-los. Essa é a razão pela qual escolho colaboradores de fé e oração”. Alerta o padre que o Sacramento da reconciliação é mais poderoso que uma exorcismo.

Ao conversar com a Dra em Teologia, Carolline Muniz, percebe-se que é necessário refletir Santo Tomas. Os anjos decaídos estavam na visão beatífica de Deus? Porque pecaram? Ela responde citando a Suma teológica “a distinção principal é esta: uma coisa é estar criado como espírito celeste; outra coisa é possuir já a visão beatífica. Em Santo Tomás, os anjos não pecaram vendo Deus face a face, porque a visão beatífica fixa definitivamente a vontade no Bem supremo. Quem vê a essência divina de modo beatífico não pode mais afastar-se de Deus. Portanto, os anjos decaídos não tinham ainda a bem-aventurança consumada; tinham conhecimento natural superior ao nosso e receberam graça, mas ainda estavam em estado de prova, não na confirmação final da glória”.

Logo, Tomás nos ensina que a decisão angélica é muito diferente da nossa, não pensa como nós, são seres espirituais. Carolline (2026) afirma que “O anjo conhece de modo intuitivo, não discursivo como nós; por isso sua escolha não é marcada por ignorância, paixão ou fraqueza da carne.

Por isso, Afirma a doutora que “o pecado angélico envolve plena consciência e pleno consentimento. Por isso, a primeira decisão do anjo é total e definitiva: os que aderem a Deus ficam confirmados no bem; os que recusam a ordenação a Deus fixam-se no mal. O material sobre a Angeologia de São Tomás recorda justamente que, para o Aquinate, «não há pecado venial no anjo» e que a primeira decisão os fixa para o bem ou para o mal por toda a eternidade”.

As palavras dos exorcistas de Roma, muito nos fazem refletir a importância de sempre estar em estado de graça, sempre confessar, aconselhar as famílias e receber e estar em dia com os Sacramentos, blindar o povo de Deus, para não ter surpresas, com este que os quer “devorar como um leão”. Ontem celebramos Santa Mônica, e hoje celebramos Santo Agostinho, e vimos o poder de oração de uma mãe, para livrar o filho das garras de Satanás. Oremos uns pelos outros, e que a Mãe Santíssima nos cubra com seu manto santo.

SALVE MARIA SANTÍSSIMA!

REFERÊNCIAS

ANGEOLOGIA/DEMONOLOGIA. Afonso, Carolline Muniz. Pós graduação em Angeologia e Demonologia. Locus Mariologicus/ Faculdade São João Paulo II (FAJOPA)

TOMÁS DE AQUINO, Santo. Suma Teológica. Tradução de Alexandre Correia. São Paulo: Paulus, 2001.

ÁVILA, Tereza de. Castelo interior ou moradas. Rio de Janeiro: Editora Vozes, 2024. 

AMORTH, Pe. Gabriele, Rodari, Paolo. O último exorcista: minha batalha contra Satanás. Campinas – SP: Ecclesiae, 2012.

CIC. Catecismo da Igreja Católica. São Paulo: Edições Loyola, 2006.

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terça-feira, 18 de agosto de 2026

A HISTORIOGRAFIA DOS ANJOS NA IGREJA

No Antigo Testamento a palavra a demônio aparece poucas vezes, em especial na versão hebraica como o Shedim שֵׁדִים - Espíritos/Divindades estrangeiras (Cf. Deuteronômio 32:17 e Salmo 106:37), Se'irim שְׂעִירִים - "Peludos" ou sátiros/demônios bodes) associado a cultos ou assombrações (Cf. Levítico 17:7, 2 Crônicas 11:15, Isaías 13:21 e Isaías 34:14), Lilith לִילִית - Criatura ou demônio noturno feminino, Cf. Isaías 34:14) e Azazel עֲזָאזֵל - Entidade ou espírito do deserto ligado ao rito do Bode expiatório, já a palavra Satan/Satanás que significa "adversário" ou "acusador", ocorre cerca de 20 a 27 vezes, no Novo Testamento ela e suas derivações aparecem bem mais, cerca de 60 vezes, sendo 50 delas nos Evangelhos. Se incluirmos termos similares e equivalentes como "espírito imundo/impuro" (pneuma akatharton, cerca de 21 vezes), "diabo/caluniador" (diabolos, 37 vezes) e "Satanás" (35 vezes). Jesus é a Revelação e jogou luzes nos demônios, espíritos impuros e outros termos usados, quase nos mostrando que deveríamos nos debruçar sobre a Angeologia.

A necessidade de refletir a Angeologia e a Hagiologia, vem das dificuldades que a doutrina sobre os anjos começa a encontrar no pensamento contemporâneo, por vezes fantasiosa e deturpada em filmes e livros comerciáveis.

No decorrer de milênios, a doutrina sobre os anjos foi recebida e desenvolvida na tradição da Igreja até chegar à Idade Contemporânea, sua sistematização teológica que buscou entender “a existência, a criação e a natureza dos anjos, sua inteligência, vontade e liberdade, sua condição moral e o ministério que exercem no governo providencial de Deus”. Muito também contribuiu a tradição escolástica, ela organizou os conhecimentos até os tratados teológicos posteriores.

Afirma o padre Carlos Neves (2026), que “a angelologia exige uma leitura teológica capaz de unir tradição e atualidade, fé e razão”. Fazendo uma revisão histórica, a angeologia aborda os conteúdos dos manuais “pré-conciliares — o tratado De Deo Creante et Elevante — cruzando-o com dois testemunhos da tradição espiritual e pastoral, São Bernardino de Siena e São João Bosco”. É possível ver ainda, o ciclo que “São João Paulo II dedicou aos anjos entre julho e agosto de 1986”. A angeologia estuda a “doutrina numa via espiritual trinitária, cristológica e pneumatológica”, para ter um bom entendimento.

Esse conceito encontra dificuldades na era contemporânea, que tem dificuldades para a aceitação da angeologia. É preciso então aprimorar o problema hermenêutico da “filologia de mal'ak e de ángelos”, que é “o pano de fundo do Antigo Oriente Próximo, a angelologia de Qumran e as principais objeções modernas”. É preciso conhecer a fundamentação teológica e histórica, buscar nas fontes bíblicas, na patrística, conciliares e no Magistério.

A presença dos anjos é permeada em toda Bíblia, também a encontramos na espiritualidade cristã, uma doutrina angélica que nunca permaneceu confinada aos tratados de teologia, mas encontrou expressão concreta na oração, na pregação, na liturgia e na hagiologia. Expoentes como São Bernardino de Siena e São João Bosco “nos deram clareza dessa dimensão espiritual e pastoral, sobretudo no que diz respeito à ação dos anjos em favor da santificação, do discernimento, da proteção e da condução dos fiéis para o bem”.

Segundo Neves (2026), “São João Bosco afirma que a maior virtude dos anjos é a castidade”, fruto de uma busca nos manuais escolásticos de Deo Creante et Elevante à espiritualidade angélica de São Bernardino de Siena e São João Bosco.

São João Bosco falava de São Domingos Sávio como se ele fosse um anjo seráfico, um serafim de amor, este jovem que possuía a virtude angelical da castidade, um jovem voltado para o coração de Deus.

São João Paulo II propôs que se aprofundasse a teologia, para quem fé e razão são "como que as duas asas pelas quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade". Os estudos da angeologia se baseia nestes princípios: fé e razão, frase de abertura da carta encíclica Fides et Ratio.

Encontramos em Neves (2026), a afirmativa de Tomás de Aquino, ao afirmar que em “cada anjo constitui uma espécie própria (não há dois anjos da mesma espécie, ao contrário dos homens, que partilham uma única espécie individuada pela matéria), já para “Duns Scotus e outros sustentaram a possibilidade de pluralidade de indivíduos numa mesma espécie angélica”.

Afirma ainda o autor que quanto a “Natureza dos anjos: espiritualidade, simplicidade, incorruptibilidade e lugar, os anjos são espíritos puros: não possuem corpo nem princípio de composição hilemórfica (matéria-forma).

 

REFERÊNCIAS

ANGEOLOGIA/DEMONOLOGIA. Pós graduação em Angeologia e Demonologia. Locus Mariologicus/ Faculdade São João Paulo II (FAJOPA)

TOMÁS DE AQUINO, Santo. Suma Teológica. Tradução de Alexandre Correia. São Paulo: Paulus, 2001.

TOMÁS DE AQUINO, Santo. Tratado sobre as Substâncias Separadas. Tradução de Luiz Astorga. Rio de Janeiro: Sétimo Selo, 2006.

NEVES, Pe. Carlos. ANGELOLOGIA CONTEMPORÂNEA. Lócus Mariológicos: Formosa, 2026.

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segunda-feira, 10 de agosto de 2026

O DIACONATO EM UMA IGREJA QUE SERVE

A palavra mais forte no chamado diaconal é o servir. Cf. At6, 13. A Santa Mãe Igreja apresenta o diaconato como um dos três graus do sacramento da Ordem, configurado a Cristo Servo. “O serviço diaconal realiza-se especialmente em três dimensões: liturgia, Palavra e caridade, sempre em comunhão com o bispo e o presbitério”, nos lembra a LG 29 do Santo Concílio Vaticano II.

Dessa forma o texto afirma que os diáconos recebem a imposição das mãos, “Não para o sacerdócio, mas para o ministério”.

Nascidos no coração de Cristo, pela necessidade da Igreja, no diz o Santo Concílio que “fortalecidos pela graça sacramental, servem o povo de Deus: na diaconia da liturgia, da Palavra e da caridade”.

Segundo o documento conciliar o diácono também são suas funções a de “administrar solenemente o Batismo, conservar e distribuir a Eucaristia, assistir e abençoar o matrimônio em nome da Igreja, levar o Viático aos moribundos, proclamar a Escritura, pregar, presidir orações, administrar sacramentais e dedicar-se às obras de caridade e administração”, o que já não é pouco o seu servir.

Nos ensina também o CIC & 1554 e 1569–1571, que o sacramento da Ordem possui três graus: episcopado, presbiterado e diaconato. Os diáconos recebem a ordenação “não para o sacerdócio, mas para o ministério”, corroborando com a LG.

Afirma o CIC, ao tratar especificamente do diácono, que “ele é ordenado para servir a Igreja sob a autoridade do bispo, especialmente: no anúncio da Palavra, no culto divino, na celebração do Batismo, na assistência e bênção do matrimônio, na presidência de exéquias e sacramentais e no serviço da caridade”.

Deixa claro o CIC que o diaconato permanente pode ser conferido a homens casados e que os diáconos não recebem o sacerdócio ministerial, embora pertençam ao sacramento da Ordem.

O Santo Padre Paulo VI, na carta apostólica Ad pascendum de 1972 diz que, “trata da instituição de leitores e acólitos, da admissão dos candidatos ao diaconato e ao presbiterado e do celibato sagrado. É importante para compreender a preparação e o itinerário vocacional dos candidatos às Ordens sacras”.

É um importante documento que nos recorda o testemunho antigo da Igreja segundo o qual o diácono deve ser: “continente e misericordioso; diligente e fiel à verdade; servidor do povo de Deus; atento aos enfermos, pobres, órfãos e viúvas e dedicado à proclamação da Palavra”. Afirma ainda o documento que, “na tradição antiga, os diáconos levavam a Eucaristia aos doentes, administravam o Batismo e pregavam a Palavra segundo a missão recebida do bispo”.

Outro Santo Padre de nossa geração, São João Paulo II, em uma audiência geral realizada em de 13 de outubro de 1993, explicou que “a posição do diácono na hierarquia ministerial da Igreja” e ainda “retoma a Lumen gentium e sublinha que o diácono é ordenado para o serviço, não para o sacerdócio”.

São João Paulo II, nos lembra que “o serviço diaconal não deve ser entendido apenas como auxílio ao bispo, mas como serviço ao povo de Deus, em comunhão com o bispo e os presbíteros”. O Papa também recorda que Santo Inácio de Antioquia chamava os diáconos de “ministros da Igreja de Deus”.

Para nós do corpo diaconal, foi um dos melhores documentos produzidos, pois São João Paulo II, no ‘Directorium pro ministerio et vita diaconorum permanentium’, reforça em 1998, apresenta as orientações principais sobre:
  • identidade teológica do diácono;
  • espiritualidade diaconal;
  • formação inicial e permanente;
  • relação com o bispo, os presbíteros e os leigos;
  • ministério da liturgia, da Palavra e da caridade;
  • vida familiar e profissional dos diáconos permanentes;
  • obediência e colaboração pastoral;
  • exercício responsável dos ofícios e encargos eclesiais.
Nos lembra o papa em uma perspectiva fundamental que o diácono deve ser uma presença sacramental de Cristo Servo, não um “substituto do padre”.

Também o Diác. Manoel Carlos, em seu artigo “O Diaconato é o serviço da Igreja sacramentalizado”, diz que “Santo Inácio de Antioquia, martirizado no ano 107, foi o primeiro a apresentar o diaconato como um grau da hierarquia. Segundo ele os Diáconos não se limitam ao ‘serviço das mesas’, mas, junto com os Presbíteros se tornam os primeiros colaboradores do bispo e devem ser honrados como se fossem o próprio Jesus Cristo”.

Ainda no mesmo artigo Manoel Carlos afirma que São Policarpo foi ordenado pelo Apóstolo São João, segundo Tertuliano, e “lembra que os Diáconos ‘são servidores de Deus e de Cristo, e não dos homens’.

Em uma importante colocação, Manoel Carlos afirma que “a ordenação significa que o diaconato é um dom feito aos homens pelo Espírito Santo, a fim de que os diáconos se identifiquem a Cristo servidor”. E diz ainda que “o diácono torna-se sinal sacramental da presença e da ação do Espírito Santo, um testemunho do que Ele realiza nas pessoas, na Igreja, na história e no mundo, enviando-nos a dar a vida a serviço dos mais pobres, dos mais necessitados e dos excluídos”, uma colocação reflexiva e profunda sobre a diaconia.

Que São Lourenço interceda pelos diáconos em sua importante missão para com o povo de Deus, e que Maria Santíssima os cubra com seu Manto Sagrado.

SALVE MARIA SANTÍSSIMA”

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segunda-feira, 3 de agosto de 2026

A DEMONOLOGIA PARA SUÁREZ E JOÃO DE SÃO TOMÁS

Francisco Suárez e João de São Tomás, são dois teólogos da Igreja que deixaram grandes contribuições á demonologia da Idade Moderna, uma evolução da Biblioteca da Humanidade deixada pelo Medievo.

Francisco Suárez nasceu em1548 e faleceu em1617, foi um renomado teólogo, filósofo jesuíta espanhol, e uma grande referência da Escola de Salamanca na Espanha, também e sendo um dos mais notáveis do segundo escolasticismo, escola teoógica da baixa Idade Média. Ele foi grande destaque para a demonologia e a angelologia, foi destaque porque sistematizou, e também se dedicou a “analisar a natureza, o livre-arbítrio, a queda e a atuação espacial dos anjos caídos em tratados teológicos monumentais”.

Também o filósofo e teólogo da Segunda Escolástica, conhecido como o "Doutor Profundo", João de São Tomás nasceu em João Poinsot e destacou-se como frade dominicano, ele foi um dos mais importantes teólogos que continuaram a doutrina de Tomás de Aquino.

Afirmam o Dr. Daniel e a Dra. Carolline da Lócus, especialistas em demonologia, que “Toda ação dos espíritos decaídos sobre o mundo se exerce sempre dentro de dois limites estruturais bem precisos, a permissão providente de Deus e o livre-arbítrio humano, que juntos separam nitidamente a posição católica do maniqueísmo e do naturalismo racionalista”.

A Dra. Carolline Muniz Afonso, afirma que: “Para o exorcismo maior, é necessária licença expressa do Bispo diocesano”. logo, o sacerdote licitamente ordenado “atua nessa função não por iniciativa própria, nem por carisma privado, mas por mandato da Igreja, em obediência ao Bispo e ao rito aprovado.” Ela afirma ainda que, “O Bispo deve escolher um sacerdote que reúna qualidades espirituais, morais e intelectuais adequadas: piedade, ciência, prudência e integridade de vida.”

Daniel apud Suárez afirma que “o princípio mais alto é o da providência permissa, segundo o qual nada do que o demônio faz se realiza sem permissão divina”.  E ainda que “a formulação clássica é tomista, com a distinção entre a vontade antecedente de Deus e a sua vontade consequente, e a demonologia moderna desenvolve-a com precisão nova”, reconhecendo que há três notas na permissão divina, “a antecedência, a especificidade e a ordenação finalística. João de São Tomás completa o quadro ao observar que mesmo o demônio reconhece a soberania que o atormenta, o demônio entende que Deus existe e opera, mesmo na sua própria danação”.

Afirma o Dr. Daniel que, “a ação demoníaca é real”, e que o “segundo limite estrutural é o livre-arbítrio humano. O demônio pode tentar, sugerir, vexar, infestar e, em casos extremos, apoderar-se do corpo do sujeito, mas não pode, em circunstância alguma, forçar a vontade interior a consentir no mal, pois o consentimento permanece sempre livre e moralmente imputável”.

Percebe-se então que a demonologia moderna não aceita o maniqueísmo, diz Dr. Daniel, “sobretudo na sua forma difusa de medo desproporcionado, que aproxima imaginativamente o demônio de um co-criador, e rejeita o naturalismo, que reduz toda a fenomenologia a doença, projeção ou superstição”.

Hoje, há uma exigência metodológica, que é a de “investigar primeiro as causas naturais, não creia o exorcista facilmente que o demônio é causa, mas inquira primeiro diligentemente sobre as causas naturais”, afirmam Daniel e Carolline Muniz.

Grandes especialistas em Demonologia, seguem como modo concreto no agir “ a tradição manualística que distingue a ação interior da exterior”.

Nos explicam estas ações o Dr. Daniel e a Dra. Carolline  que:

“A interior dirige-se à imaginação, reordenando as imagens da memória sensitiva, e ao intelecto, por meio da sugestão, que se desdobra em três graus sucessivos, a sugestão simples, a delectação e o consentimento, sendo este último exclusivamente do sujeito. A exterior dirige-se ao corpo e ao ambiente, sempre de modo mediado, em conformidade com a incorporeidade fixada na aula anterior”.

Logo, nos ensinam os especialistas em Demonologia, Dr. Daniel e a Dra. Carolline  que, “o exorcista católico não age como manipulador de poderes paralelos, mas como ministro de uma autoridade que proclama, em cada gesto, a soberania do Deus criador e providente, sem a qual o rito descairia em magia, em terapia improvisada ou em performance”.

 

REFERÊNCIAS

Auguste François Lecanu — Histoire de Satan: sa chute, son culte, des manifestations, (1990)

Tomás, João de São Cursus Theologicus, De Angelis, disp. XXIII.

Trevor Oswald Ling — The significance of Satan: new testament demonology and its Demonic-foes--my-twenty-five-years-as-a-psychiatrist-Richard-Gallagher-MD-First-edition-New-York Gli abitanti del Cielo. Trattato di ecclesiologia celeste e di escatologia

journalsauthors,+La+posesión+demoníaca.

ANGEOLOGIA/DEMONOLOGIA. Módulo: Pós graduação em Angeologia e Demonologia. Locus Mariologicus/ Faculdade São João Paulo II (FAJOPA)

TOMÁS DE AQUINO, Santo. Suma Teológica. Tradução de Alexandre Correia. São Paulo: Paulus, 2001.

ARMINJON, Charles. Do fim do mundo, dos sinais que o precederão. Osasco – SP: Domine, 2021.

CARVALHO, César e Carvalho, Mara. Consagra-te: Venha a nós o Vosso Reino. Natal: Mater Dei, 2012.

CIC. Catecismo da Igreja Católica. São Paulo: Edições Loyola, 2006.

DOCUMENTOS PONTIFÍCIOS: Idade Média. Rio de Janeiro: Ed. CDB, 2024.

MONTFORT, São Luís Maria Grignion de. Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem. São Paulo: Paulus, 2010.

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terça-feira, 7 de julho de 2026

O MARTELO DAS BRUXAS (Diác. Gabriel Batista)

A obra “Malleus Maleficarum”, também conhecida por “O Martelo das Bruxas”, foi um livro escrito em 1486 por dois monges inquisidores católicos, Heinrich Kramer e James Sprenger. Esta obra, tornara-se um manual para identificar, julgar e punir supostas "bruxas" durante a perseguição religiosa na Europa. A obra de Heinrich & James, tinha como cunho central a realidade da bruxaria, os poderes do Diabo e o julgamento dos possessos. Afirmavam eles que “a bruxaria existe e que é a pior forma de heresia, segundo eles, crime contra a religião”. Diziam ainda que “as bruxas faziam pactos diretos com o diabo para causar doenças, tempestades e outros males”. Em sua segunda parte, eles abordavam “como as bruxas agiam no dia a dia e os ‘poderes’ que teriam”. Ensinava esta obra o que “as pessoas poderiam fazer para se proteger contra essas magias”. A última parte da obra era “um guia prático para juízes e padres, pois, ensinava o passo a passo de “como prender, interrogar e julgar uma pessoa”. Nos escritos da obra, ela “autorizava o uso de tortura para conseguir confissões e ensinava como aplicar a pena de morte, que costumava ser a fogueira”, e em sua maioria destinava-se ás mulheres, pois, acreditava-se que “as mulheres eram mais fracas, tinham mentes mais frágeis e eram mais carnais que os homens”, talvez julgassem o pecado de Eva, eles “acreditavam que as mulheres eram muito mais fáceis de serem enganadas pelo diabo e de se tornarem bruxas”. Nossa senhora veio para restaurar as mulheres, de tantas discriminações e preconceitos, como nos mostra Montfort ao dizer que Deus “reuniu todas as águas e as chamou de mar, e reuniu todas as graças e a chamou Maria”. O próprio diabo, segundo acreditam os monges monfortinos, escondeu esta obra por cem anos, até que fosse novamente encontrada, e assim começara a devoção da consagração a Mãe do Salvador, como tão bem disse São João Paulo II, que até seu lema pontifício era “totus tuus ego sum et omnia mea tua sunt” - "Sou totalmente Teu, e tudo o que tenho Te pertence", da obra de Montfort.

A Demonologia na Idade Moderna, evoluiu entre os séculos XIV e XVIII, pois, este foi um período marcado por calorosas discussões, e pela chamada “febre satânica”, que influenciou tanto a cultura popular quanto a vida eclesial. É necessário, uma análise crítica desse período, dentro de um contexto histórico, compreendendo que houve “exageros, distorções e receios que caracterizaram a percepção do mal espiritual nesse tempo”, afirma o Dr. Daniel Afonso.

Em dado momento da Idade Média, ficaram estagnados os estudos da demonologia, retornando em Trento, embora o Santo Concílio de Trento (1545-1563), “que não promulgou nenhum decreto De Daemonibus e, no entanto, reordenou todo o terreno”, pois tratou seriamente dos “ sacramentais no regime ex opere operato, ao centralizar o exorcismo na autoridade do Bispo, ao instituir os seminários e os cursus theologici e ao uniformizar os livros litúrgicos”, O Concílio de Trento, acabou por preparar o terreno, que apresentou o Rituale Romanum de Paulo V, fato ocorrido em 1614. Após isso, “a demonologia moderna é simultaneamente teologia, ascética e mística, clínica e direito canônico aplicado”, já não se atribuía mais as bruxas o mal. Nascia uma Demonologia que reagia a obra “Malleus Maleficarum”, trazendo agora uma teologia católica que apresentava “a tese dogmática da existência substancial dos demônios”.

Com os estudos e os concílios, foi-se definindo o que se inicia fortemente na Idade Moderna: “a existência substancial dos demônios, a sua incorporeidade, os limites da sua ação, a arquitetura categorial discriminativa e a prudência metodológica”, com uma demonologia ‘ad usum’ de um ponto de vista pastoral, e também ordenada para o serviço do confessor, também do diretor espiritual e do Bispo, investigada com à colaboração da medicina e da psicologia, que muito ajudam na caminhada do fiel.


SALVE MARIA SANTÍSSIMA!

 

REFERÊNCIAS

ANGEOLOGIA/DEMONOLOGIA. Módulo: Demonologia moderna. Pós graduação em Angeologia e Demonologia. Locus Mariologicus / Faculdade São João Paulo II (FAJOPA)

CIC. Catecismo da Igreja Católica. São Paulo: Edições Loyola, 2006.

DOCUMENTOS PONTIFÍCIOS: Idade Média. Rio de Janeiro: Ed. CDB, 2024.

MILTON, John. Paraíso perdido. São Paulo: Martin Claret, 2025.

JOÃO PAULO II, Papa. Carta Encíclica Redemptoris Mater: sobre a bem-aventurada Virgem Maria na vida da Igreja que está a caminho. 25 de março de 1987.

RATZINGER, Joseph. BENTO XVI, Papa. Jesus de Nazaré: da entrada em Jerusalém até a ressurreição. São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2011.

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