Diácono José Bezerra de Araújo
Assistente Eclesiástico da Pastoral da Comunicação
Esta tem sido a razão pela qual a Igreja Católica no Brasil tem dedicado várias Campanhas da Fraternidade em defesa do meio ambiente. Afinal, é neste meio ambiente que o ser humano foi colocado e convidado por Deus a viver, cuidar e preservar, para dele usufruir e se alimentar. “O Senhor Deus fez brotar da terra toda sorte de árvores de aspecto agradável, e de frutos bons para comer”(Gn2,9). Mas a criatura humana desobedeceu ao Criador e ainda hoje continua depredando o ambiente que Deus lhe concedeu para nele morar e dele colher “os frutos” para seu alimento.
Por isso, neste ano, mais uma vez, a Igreja dedica este tempo a mais uma campanha em favor do meio ambiente que Deus doou às criaturas. As criaturas humanas, de quaisquer crenças, são convidadas a refletir sobre a “Fraternidade e Ecologia Integral”. Afinal, todos são “guardiões da criação”(CF2025, pág. 5). Por esta razão, “Promover, em espírito quaresmal e em tempos de urgente crise socioambiental, um processo de conversão, ouvindo o grito dos pobres e da Terra” (CF2025, pag. 7), é dever de cada ser humano.
O segundo objetivo específico da CF2025 propõe à Igreja, aos cristãos e aos homens e mulheres de boa vontade “denunciar os males que o modo de vida atual impõe ao Planeta”, gerando “uma complexa crise socioambiental à nossa “Casa Comum”(CF2025, pág. 7). Sem perceber, muitos dos seres humanos, principalmente os gananciosos, entre os quais estão alguns do agronegócio e exploradores ambientais, estão contribuindo para uma futura autodestruição da criação. As últimas e muitas catástrofes, inclusive no Brasil, “falam” alto, mas poucos “ouvem” esse “grito da Terra”.
A ganância pelo ter vem agravando esta situação. Recentemente vi uma charge muito interessante e que escancara exatamente este caminho da autodestruição. Era a figura de um ser humano conduzindo um caminhão carregado com toras de madeiras, e uma procissão de animais selvagens logo atrás, com que cabisbaixos, iluminada por apenas uma frase: “O funeral das árvores”. Pois bem, pode-se acrescentar que também se trata do futuro funeral dos seres vivos – árvores, animais e nós, os seres humanos. Engana-se quem acredita que os biomas – a Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga, entre outros – dispõem de recursos inesgotáveis.
Para muitos dos que só querem acumular riquezas e lucrar explorando a Mãe Terra, essas campanhas são apenas centelhas alarmantes de pessoas que querem barrar o “progresso”. Mas, que progresso pode haver com a destruição do meio ambiente? Nenhum! Existe uma ciência chamada Ecologia – “parte da Biologia que se preocupa com o estudo das relações estabelecidas entre os seres vivos e destes com o meio ambiente em que vivem” – e que compreende, ao menos, três dimensões: Ciência, prática e nova mentalidade ou paradigma(CF2025, pág. 17). Há, pois, Ciência nos tratados sobre os temas das Campanhas da Fraternidade. Portanto, não seja um incrédulo ou “ateu ecológico”. Destruir o meio ambiente é o mesmo que cavar uma sepultura e iniciar a caminhada do próprio funeral e dos demais seres vivos, ainda em vida!
Ora, se a vida do ser humano é tão breve, diante da grandeza de Deus e de toda a abra da criação, mas também tão importante para o Criador e as demais criaturas, por que tanta gente gasta seu tempo prejudicando a própria vida e a vida de outras pessoas? Por exemplo, qual a razão das guerras, que destroem não apenas bens materiais de ambos os lados, mas também a vidas de homens, mulheres, jovens e crianças? Atualmente, as mais destacadas guerras por este mundo afora são a da Rússia contra a Croácia e a da Faixa de Gaza... Quantas vidas já foram destroçadas? Provavelmente não há estatística, porque, nestes casos, o que menos importa é a vida humana...
Meditando sobre a brevidade desta vida que Deus nos concede, o salmista compara a vida humana com “o dia de ontem que já passou, com a vigília da noite. ... são como um sonho da manhã, como a erva que viceja de manhã, mas à tarde é cortada e logo seca”(cf. Sl 89,5-6). Mais adiante reflete sobre a vida que leva e se reconhece como um errante diante de Deus, quando afirma: “Colocastes diante de vós as nossas culpas, e nossos pecados ocultos à vista de vossos olhos. Ante vossa ira passaram todos os nossos dias. Nossos anos se dissipam como um sopro. Setenta anos pode durar a nossa vida; os mais fortes talvez cheguem a oitenta. A maior parte é sofrimento e vaidade, porque o tempo passa depressa e desaparecemos”(Sl. 89,8-10).
O profeta Isaias também faz uma reflexão sobre a vida passageira que Deus concedeu à criatura humana. “É necessário que eu me vá no apogeu de minha vida e de meus dias. Para a mansão triste dos mortos descerei, sem viver o que me resta de meus anos. (...) Qual tecelão, eu ia tecendo a minha vida, mas agora foi cortada a sua trama”(cf, Is 38,10-12). Ora, se a vida humana é tão breve diante da grandiosidade de Deus Criador, por que a criatura humana pratica tantos atos que contribuem para reduzir sua própria vida e a dos demais seres vivos – fauna e flora – e o habitat natural de todos os viventes?
Parece uma atitude irracional, quando o ser humano é a única criatura de Deus dotada da capacidade de pensar, de raciocinar e de agir conscientemente nas suas tomadas de decisão. Mas, ao mesmo tempo, por mais estranho que possa parecer, também é capaz de agir friamente na prática do mal contra outra criatura humana e, às vezes, até contra si mesmo. Por exemplo, sabe que a ingestão de drogas prejudica a saúde física, mental e até a convivência social. Mesmo assim, ingere drogas...
Devemos nos lembrar sempre que tudo nesta vida tem seus limites. O meu e o seu limite terminam quando interferem na vida de outras pessoas, prejudicando-as. Então, neste período carnavalesco, policie-se e jamais extrapole os seus limites, seja para consigo mesmo, seja para com as demais pessoas. Preserve a vida que Deus lhe deu. O profeta Izaias reconhece a presença de Deus na sua vida, quando diz: “... vós livraste minha vida do sepulcro e lançastes para trás os meus pecados”(Is. 38,17). Preservemos a vida. Ela é bela!
Diácono José Bezerra de Araújo
Assistente eclesiástico da PASCOM
Arquidiocese de Natal
Diácono José Bezerra de Araújo Assistente eclesiástico da PASCOM
Arquidiocese de Natal