sábado, 7 de março de 2026

As tentações de um diácono com câncer e como ele as superou

Courtesy of Edinson

 
“A doença não ataca apenas o corpo, ataca também a confiança…”

 Prestes a completar 44 anos e com a esperança de ser ordenado sacerdote em breve, o diácono Edinson José Salas convive com uma doença grave que está afetando seus planos.

O câncer de cólon o levou ao limite nos últimos meses, mas também o ensinou a confiar mais em Deus.

“Quando recebi o diagnóstico no verão passado, senti como se tivesse sido jogado em um deserto”, relembra. “Com o tempo, entendi que esse deserto faz parte do plano de Deus.”

Traçando um paralelo com as tentações que Jesus enfrentou no deserto, Edinson explica que, ao descobrir que tinha câncer, sentiu como se o tempo tivesse parado, como se tudo estivesse desmoronando.

Tentações

“A doença não ataca apenas o corpo, ataca a confiança”, observa. “E eu fui tentado a perder a minha fé.”

“O tentador oferece soluções fáceis; eu também enfrentei tentações: ficar com raiva de Deus, me fazer de vítima, pensar que minha vida não tinha sentido…”, confessa.

E ele questionou a Deus: “Se o Senhor me ama, por que estou doente? Por que eu, que quero ser uma boa pessoa e fazer as coisas direito?”

“Eu sentia uma fome por respostas, por certeza, por voltar à minha vida antes do diagnóstico”, explica. “Havia noites muito escuras, cheias de lágrimas e dor.”

Cruz

“Eu olhava para o crucifixo atrás da minha cama”, compartilha, “e orava: Senhor, se o Senhor me permitiu viver com esta doença, permita-me também suportá-la com alegria, com amor, confiando no Senhor.”

“Ele não desceu da cruz para mostrar poder”, reflete. “Ele apenas mostrou misericórdia.”

Ajudado por “pessoas que Deus colocou ao meu lado”, o diácono começou a ver o câncer como “uma cruz que me leva à purificação”.

“No início, eu me sentia triste, mas depois comecei a oferecer esta cruz ao Senhor e a vi cheia de vida e amor”, diz.

“Senhor, eu confio em Ti”

Edinson con su obispo y compañeros del seminario

O diácono decidiu entregar tudo nas mãos de Deus e começou a oferecer sua doença e suas dificuldades por aqueles que sofrem e por diversas causas.

“Mesmo quando estava fraco, às vezes sem sentir nada, às vezes chorando, eu simplesmente repetia: ‘Senhor, eu confio em Ti’”, ele conta. “No meu deserto, aprendi a confiar em Deus.”

“Aos poucos, o deserto deixou de ser apenas sofrimento e se tornou um encontro com Ele”, afirma.

A Presença de Deus

Agora, Edinson vê que sua doença o ajudou a se tornar mais humano e a se aproximar de Deus, porque “quando temos saúde, quando temos tudo, nos esquecemos Dele”.

“Eu entendi: Senhor, a Tua graça me basta”, resume. “Ele não me prometeu a ausência de dor, mas a Sua presença na minha vida, na minha existência, no meu ser.”

“Minha doença foi dolorosa, mas foi onde senti Deus mais profundamente”, afirma. Se você está doente, não pense nisso como um castigo: você é o Evangelho encarnado.”

O diácono, nascido na Colômbia, mas atualmente servindo na Espanha, afirma que “as tentações de Jesus no deserto também são a nossa história”.

Missão

“No deserto, a fé não se perde, mas sim se nutre e se purifica… e então a missão começa”, exclama ele.

“Sejamos testemunhas da confiança no Senhor para os outros”, exorta, “vivendo o Evangelho onde quer que estejamos”.

E conclui seu testemunho, oferecido nesta terça-feira em sua paróquia, com cinco reflexões aprendidas com a doença e o sofrimento:

“Quando oferecemos o sofrimento ao Senhor, ele se torna mais suportável; suportamo-lo com mais alegria e significado.”

“Na doença ou nas dificuldades, não busque o caminho mais fácil, mas ofereça sua vida para purificação e salvação.”

“A doença não é um castigo, uma maldição, mas um caminho para purificar nossa alma e nos aproximar de Deus.” Voltemos nosso olhar para Ele, aproveitemos esta oportunidade para retornar a Ele.

“Oferecer nossa doença ao Senhor não significa dizer: ‘Não é nada’; significa reconhecer: isto está além do meu controle, mas sei que o Senhor está comigo, o Senhor me acompanha, o Senhor me guia, eu sinto a Sua presença.”

“O mundo está cheio de medo, ansiedade e desconfiança. Os cristãos são chamados a ser um sinal de esperança. Somos testemunhas quando não perdemos a fé diante das dificuldades, quando tratamos os outros com paciência, quando confiamos em Deus mesmo na cruz.”


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