segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Terça-feira da 25ª Semana do Tempo Comum

A liturgia desta terça-feira nos conduz a uma reflexão muito concreta sobre o coração humano e sobre o verdadeiro parentesco que Jesus deseja formar.

O livro dos Provérbios apresenta um contraste forte entre quem busca o bem e quem se deixa conduzir pelo mal: o justo pondera seus passos, escuta, acolhe; o injusto fecha o ouvido, age por impulso e acaba preso às próprias armadilhas. Há uma sabedoria discreta aqui: o coração humano pode ser moldado, mas precisa estar aberto. Deus inclina o coração do rei como um curso de água, mas não força ninguém a escolher o caminho da vida.

O salmo reforça essa disposição interior: caminhar segundo a lei do Senhor não é peso, mas alegria. O salmista pede compreensão, firmeza, perseverança, porque seguir a Palavra exige decisão diária, não apenas entusiasmo momentâneo.

No Evangelho, Jesus redefine o que significa “ser da família de Deus”. Sua mãe e seus parentes o procuram, mas Ele afirma que sua verdadeira família é formada por aqueles que ouvem a Palavra e a põem em prática. Não é desprezo pelos laços de sangue, mas revelação de algo maior: a comunhão com Deus nasce da escuta obediente. É como se Jesus dissesse que proximidade não depende de títulos, tradições ou afetos, mas de uma vida que se deixa moldar pela vontade do Pai.

Assim, a liturgia de hoje nos convida a examinar o coração: estamos ouvindo de verdade? Estamos permitindo que a Palavra transforme nossas escolhas? Ser família de Jesus não é privilégio reservado a poucos; é caminho aberto a todos que desejam viver segundo o Evangelho.

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