terça-feira, 7 de julho de 2026

O MARTELO DAS BRUXAS (Diác. Gabriel Batista)

A obra “Malleus Maleficarum”, também conhecida por “O Martelo das Bruxas”, foi um livro escrito em 1486 por dois monges inquisidores católicos, Heinrich Kramer e James Sprenger. Esta obra, tornara-se um manual para identificar, julgar e punir supostas "bruxas" durante a perseguição religiosa na Europa. A obra de Heinrich & James, tinha como cunho central a realidade da bruxaria, os poderes do Diabo e o julgamento dos possessos. Afirmavam eles que “a bruxaria existe e que é a pior forma de heresia, segundo eles, crime contra a religião”. Diziam ainda que “as bruxas faziam pactos diretos com o diabo para causar doenças, tempestades e outros males”. Em sua segunda parte, eles abordavam “como as bruxas agiam no dia a dia e os ‘poderes’ que teriam”. Ensinava esta obra o que “as pessoas poderiam fazer para se proteger contra essas magias”. A última parte da obra era “um guia prático para juízes e padres, pois, ensinava o passo a passo de “como prender, interrogar e julgar uma pessoa”. Nos escritos da obra, ela “autorizava o uso de tortura para conseguir confissões e ensinava como aplicar a pena de morte, que costumava ser a fogueira”, e em sua maioria destinava-se ás mulheres, pois, acreditava-se que “as mulheres eram mais fracas, tinham mentes mais frágeis e eram mais carnais que os homens”, talvez julgassem o pecado de Eva, eles “acreditavam que as mulheres eram muito mais fáceis de serem enganadas pelo diabo e de se tornarem bruxas”. Nossa senhora veio para restaurar as mulheres, de tantas discriminações e preconceitos, como nos mostra Montfort ao dizer que Deus “reuniu todas as águas e as chamou de mar, e reuniu todas as graças e a chamou Maria”. O próprio diabo, segundo acreditam os monges monfortinos, escondeu esta obra por cem anos, até que fosse novamente encontrada, e assim começara a devoção da consagração a Mãe do Salvador, como tão bem disse São João Paulo II, que até seu lema pontifício era “totus tuus ego sum et omnia mea tua sunt” - "Sou totalmente Teu, e tudo o que tenho Te pertence", da obra de Montfort.

A Demonologia na Idade Moderna, evoluiu entre os séculos XIV e XVIII, pois, este foi um período marcado por calorosas discussões, e pela chamada “febre satânica”, que influenciou tanto a cultura popular quanto a vida eclesial. É necessário, uma análise crítica desse período, dentro de um contexto histórico, compreendendo que houve “exageros, distorções e receios que caracterizaram a percepção do mal espiritual nesse tempo”, afirma o Dr. Daniel Afonso.

Em dado momento da Idade Média, ficaram estagnados os estudos da demonologia, retornando em Trento, embora o Santo Concílio de Trento (1545-1563), “que não promulgou nenhum decreto De Daemonibus e, no entanto, reordenou todo o terreno”, pois tratou seriamente dos “ sacramentais no regime ex opere operato, ao centralizar o exorcismo na autoridade do Bispo, ao instituir os seminários e os cursus theologici e ao uniformizar os livros litúrgicos”, O Concílio de Trento, acabou por preparar o terreno, que apresentou o Rituale Romanum de Paulo V, fato ocorrido em 1614. Após isso, “a demonologia moderna é simultaneamente teologia, ascética e mística, clínica e direito canônico aplicado”, já não se atribuía mais as bruxas o mal. Nascia uma Demonologia que reagia a obra “Malleus Maleficarum”, trazendo agora uma teologia católica que apresentava “a tese dogmática da existência substancial dos demônios”.

Com os estudos e os concílios, foi-se definindo o que se inicia fortemente na Idade Moderna: “a existência substancial dos demônios, a sua incorporeidade, os limites da sua ação, a arquitetura categorial discriminativa e a prudência metodológica”, com uma demonologia ‘ad usum’ de um ponto de vista pastoral, e também ordenada para o serviço do confessor, também do diretor espiritual e do Bispo, investigada com à colaboração da medicina e da psicologia, que muito ajudam na caminhada do fiel.


SALVE MARIA SANTÍSSIMA!

 

REFERÊNCIAS

ANGEOLOGIA/DEMONOLOGIA. Módulo: Demonologia moderna. Pós graduação em Angeologia e Demonologia. Locus Mariologicus / Faculdade São João Paulo II (FAJOPA)

CIC. Catecismo da Igreja Católica. São Paulo: Edições Loyola, 2006.

DOCUMENTOS PONTIFÍCIOS: Idade Média. Rio de Janeiro: Ed. CDB, 2024.

MILTON, John. Paraíso perdido. São Paulo: Martin Claret, 2025.

JOÃO PAULO II, Papa. Carta Encíclica Redemptoris Mater: sobre a bem-aventurada Virgem Maria na vida da Igreja que está a caminho. 25 de março de 1987.

RATZINGER, Joseph. BENTO XVI, Papa. Jesus de Nazaré: da entrada em Jerusalém até a ressurreição. São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2011.

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