No Antigo Testamento a palavra a demônio aparece poucas vezes, em especial na versão hebraica como o Shedim שֵׁדִים - Espíritos/Divindades estrangeiras (Cf. Deuteronômio 32:17 e Salmo 106:37), Se'irim שְׂעִירִים - "Peludos" ou sátiros/demônios bodes) associado a cultos ou assombrações (Cf. Levítico 17:7, 2 Crônicas 11:15, Isaías 13:21 e Isaías 34:14), Lilith לִילִית - Criatura ou demônio noturno feminino, Cf. Isaías 34:14) e Azazel עֲזָאזֵל - Entidade ou espírito do deserto ligado ao rito do Bode expiatório, já a palavra Satan/Satanás que significa "adversário" ou "acusador", ocorre cerca de 20 a 27 vezes, no Novo Testamento ela e suas derivações aparecem bem mais, cerca de 60 vezes, sendo 50 delas nos Evangelhos. Se incluirmos termos similares e equivalentes como "espírito imundo/impuro" (pneuma akatharton, cerca de 21 vezes), "diabo/caluniador" (diabolos, 37 vezes) e "Satanás" (35 vezes). Jesus é a Revelação e jogou luzes nos demônios, espíritos impuros e outros termos usados, quase nos mostrando que deveríamos nos debruçar sobre a Angeologia.
A necessidade de refletir a Angeologia e a Hagiologia, vem das dificuldades que a doutrina sobre os anjos começa a encontrar no pensamento contemporâneo, por vezes fantasiosa e deturpada em filmes e livros comerciáveis.
No decorrer de milênios, a doutrina sobre os anjos foi recebida e desenvolvida na tradição da Igreja até chegar à Idade Contemporânea, sua sistematização teológica que buscou entender “a existência, a criação e a natureza dos anjos, sua inteligência, vontade e liberdade, sua condição moral e o ministério que exercem no governo providencial de Deus”. Muito também contribuiu a tradição escolástica, ela organizou os conhecimentos até os tratados teológicos posteriores.
Afirma o padre Carlos Neves (2026), que “a angelologia exige uma leitura teológica capaz de unir tradição e atualidade, fé e razão”. Fazendo uma revisão histórica, a angeologia aborda os conteúdos dos manuais “pré-conciliares — o tratado De Deo Creante et Elevante — cruzando-o com dois testemunhos da tradição espiritual e pastoral, São Bernardino de Siena e São João Bosco”. É possível ver ainda, o ciclo que “São João Paulo II dedicou aos anjos entre julho e agosto de 1986”. A angeologia estuda a “doutrina numa via espiritual trinitária, cristológica e pneumatológica”, para ter um bom entendimento.
Esse conceito encontra dificuldades na era contemporânea, que tem dificuldades para a aceitação da angeologia. É preciso então aprimorar o problema hermenêutico da “filologia de mal'ak e de ángelos”, que é “o pano de fundo do Antigo Oriente Próximo, a angelologia de Qumran e as principais objeções modernas”. É preciso conhecer a fundamentação teológica e histórica, buscar nas fontes bíblicas, na patrística, conciliares e no Magistério.
A presença dos anjos é permeada em toda Bíblia, também a encontramos na espiritualidade cristã, uma doutrina angélica que nunca permaneceu confinada aos tratados de teologia, mas encontrou expressão concreta na oração, na pregação, na liturgia e na hagiologia. Expoentes como São Bernardino de Siena e São João Bosco “nos deram clareza dessa dimensão espiritual e pastoral, sobretudo no que diz respeito à ação dos anjos em favor da santificação, do discernimento, da proteção e da condução dos fiéis para o bem”.
Segundo Neves (2026), “São João Bosco afirma que a maior virtude dos anjos é a castidade”, fruto de uma busca nos manuais escolásticos de Deo Creante et Elevante à espiritualidade angélica de São Bernardino de Siena e São João Bosco.
São João Bosco falava de São Domingos Sávio como se ele fosse um anjo seráfico, um serafim de amor, este jovem que possuía a virtude angelical da castidade, um jovem voltado para o coração de Deus.
São João Paulo II propôs que se aprofundasse a teologia, para quem fé e razão são "como que as duas asas pelas quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade". Os estudos da angeologia se baseia nestes princípios: fé e razão, frase de abertura da carta encíclica Fides et Ratio.
Encontramos em Neves (2026), a afirmativa de Tomás de Aquino, ao afirmar que em “cada anjo constitui uma espécie própria (não há dois anjos da mesma espécie, ao contrário dos homens, que partilham uma única espécie individuada pela matéria), já para “Duns Scotus e outros sustentaram a possibilidade de pluralidade de indivíduos numa mesma espécie angélica”.
Afirma ainda o autor que quanto a “Natureza dos anjos: espiritualidade, simplicidade, incorruptibilidade e lugar, os anjos são espíritos puros: não possuem corpo nem princípio de composição hilemórfica (matéria-forma).
REFERÊNCIAS
ANGEOLOGIA/DEMONOLOGIA.
Pós graduação em Angeologia e Demonologia. Locus Mariologicus/ Faculdade São João Paulo II (FAJOPA)
TOMÁS
DE AQUINO, Santo. Suma Teológica. Tradução de Alexandre Correia. São
Paulo: Paulus, 2001.
TOMÁS
DE AQUINO, Santo. Tratado sobre as Substâncias Separadas. Tradução de
Luiz Astorga. Rio de Janeiro: Sétimo Selo, 2006.
Já que você chegou até aqui, que tal ficar melhor informado sobre o que acontece na Igreja Católica. É fácil, basta seguir o CANAL DA CAD NATAL no WhatsApp. Aqui, é para quem tem Fé!

.png)