Para responder vamos usar como fonte Teológica o
Magistério, o Catecismo da Igreja Católica, os Concílios Ecumênicos e as fontes
Bíblicas. Quando Jesus voltar na Parusia, a Sua segunda vinda, a história
humana chegará ao fim, os mortos ressuscitarão e o purgatório será totalmente
esvaziado. Logo, a partir desse momento, existirão apenas dois destinos eternos
para a alma o Céu, para aqueles que estão salvos e o Inferno para os condenados
eternamente.
Nos fundamentos bíblicos, vemos Já no
Livro do Gênesis que Deus nos apresenta a Terra prometida para seus servos
Abraão e Moisés. Já nos tempos de Jesus, começa a esperança do Messias e a
libertação, que acreditavam os judeus seria das tropas estrangeiras, afirma Schneider
(2012, p. 333s).
A Bíblia nos mostra que o fim dos tempos separará o
mundo em apenas dois lados: o das ovelhas e dos cabritos, ou seja, aqueles que
estão salvos e os que foram condenados.
Em Mateus 25, 31-46, nós vimos que Jesus aborda o
Juízo Final. Ele diz que os benditos irão para o Reino do Pai e os malditos
para o fogo eterno, mostrando que restam apenas duas opções.
O apóstolo das missões, Paulo, afirma em 1
Coríntios 3, 13-15 de um fogo que prova a obra de cada um. A teologia entende
que essa purificação acontece no decorrer da história, no purgatório, mas cessa
quando a eternidade total for estabelecida. Os nossos irmãos separados não
acreditam que exista o purgatório em momento nenhum, nem antes, nem depois do
Juízo, e defendem que a alma vai direto para o Céu ou Inferno logo após a morte,
mas muitos foram os momentos que Jesus nos disse “não sairás de lá até que
pagues o último centavo”.
Na abordagem histórico-dogmática
podemos nos fazer uma pergunta: o que de verdade acontecerá no Juízo Final?
Aprendemos com a nossa Santa Doutrina que o purgatório é temporário, que ele
serve apenas para purificar as almas dos que estão salvos e que morreram com
pequenas imperfeições antes da volta de Jesus.
Porém, nos fins dos tempos, teremos o Juízo Final,
e ele marcará o fim do mundo atual como o conhecemos. Como toda a história
humana será finalizada, não haverá mais necessidade de um estado intermediário
de limpeza. O Padre Arminjon (2021) afirma que o purgatório também será ocupado
pelas almas condenadas nos tempos finais como o novo inferno.
De certo que os destinos definitivos, após a
segunda vinda de Cristo, ocorrerá que todas as almas que estavam no purgatório
terminarão sua purificação antes ou exatamente no momento da vinda de Jesus e
entrarão na glória do Céu. A humanidade será dividida em definitivo.
Também o Magistério da Igreja já se debruçou sobre
esta temática, e para entendermos essa reflexão
escatológica, a Igreja Católica se baseia em seus documentos oficiais e na
Bíblia, vejamos:
Aprendemos no Catecismo da Igreja Católica, que é o
documento oficial da doutrina católica, que ele explica afirmando ser “o Juízo Final é o
momento da palavra definitiva de Deus sobre a história”, e isso decorre em seus
parágrafos 1038 “A ressurreição de todos os mortos, ‘dos justos e dos
injustos’, antecederá o Juízo Final”, logo, isso significa que todos
recebem seus corpos de volta para o destino eterno final, iremos para o céu ou
inferno em corpo e alma, já no parágrafo 1040, ele explica que no Juízo Final,
Cristo “pronunciará então a sua palavra definitiva sobre toda a história”.
Os bons irão para a vida eterna e os maus para o suplício eterno, sem menção ao
purgatório após esse dia.
Também os santos Concílios Ecumênicos trabalharam a
doutrina do purgatório que foi detalhada e confirmada em especial dois dos grandes
encontros de bispos na história. O primeiro deles foi o Concílio de Florença
que ocorrera em 1439, e o Concílio de Trento realizado em 1563). Estes
concílios afirmaram que o purgatório é uma “purificação final” apenas
para as almas que partem desta vida antes do último dia.
Como reflexão sistemática, fFeita com base na
Tradição, Escritura e Magistério, afirma Schneider (2012, p. 364) que a
“Escatologia não tinha interesse no curso da história, mas apenas de seu fim”,
e que para Bultmann o momento escatológico seria a vinda de Cristo.
Afirma ainda Schneider (2012, p. 364),
que a fé e a esperança estão fundamentadas “na fidelidade de Deus, que mantém
sua Palavra de Promessa”. Também para Karl Rahner “o reino de Deus é feito de
Deus, ele virá e porá um termo na história e a guardará”. Também definiu a
Confissão Sinodal de Würzburgo que “nós cristãos esperamos pelo novo homem,
pelo novo céu e a nova terra na consumação do Reino de Deus”.
Afirma ainda Schneider
(2012, p. 372), que o “fim do mundo não é a sua destruição, mas sua
consumação”, e que esta consumação se dará pela vinda de Cristo.
Portanto, o Juízo Particular é uma sentença
individual e espiritual, enquanto o Juízo Final é uma confirmação pública, pois
pecamos publicamente na presença de Deus que está em todo lugar, corporal e
definitiva dessa mesma sentença para todo o universo ver.
Que
Maria Santíssima nos ajude, interceda por nós, para ao chegar a esse dia
terrível para muitos, vamos gozar em Deus, no céu com sua visão beatífica pela
eternidade.
REFERÊNCIAS
AMORTH,
Pe.
Gabriele, Rodari, Paolo. O último exorcista: minha batalha contra Satanás.
Campinas – SP: Ecclesiae, 2012.
ARMINJON,
Charles. Do fim do mundo, dos sinais que o precederão. Osasco – SP:
Domine, 2021.
CIC. Catecismo da Igreja Católica. São Paulo: Edições Loyola, 2006.

.png)