A interioridade angélica, analisada de dentro, da presença de si, e da posse de si, foi uma temática tratada por grandes santos e doutores da Igreja, em especial o Doutor Angélico, título que recebeu Santo Tomás. Também se dedicaram a este tema Karol Wojtyła, Cornelio Fabro, Bernard Lonergan, Edith Stein e muitos outros. “Eu Sou” se revela a Moises por um anjo na sarça, e se revela a humanidade por um anjo na Anunciação.
As muitas reflexões de São João Paulo II sobre os anjos foram um ciclo de catequeses proferidas durante as Audiências Gerais nas quartas-feiras, entre 9 de julho e 20 de agosto de 1986, as quais constituem rico material teológico. Ele também mencionou os anjos em homilias específicas de outras ocasiões, como por exemplo na beatificação de São João Batista e São Jacinto realizada em 1º de agosto de 2002.
Karol Wojtyła abordou “A criação dos espíritos puros: a fé na existência dos seres invisíveis ("criador do céu e da terra, de tudo o que é, visível e invisível", baseada no Credo Niceno-Constantinopolitano). Descreveu também “o livre-arbítrio dos anjos: Como os anjos receberam a inteligência para conhecer a verdade e amar o bem por meio de uma escolha livre, a “prova moral e a divisão: A decisão fundamental de amor e obediência a Deus versus a rejeição ou orgulho que levou à rebelião de Satanás e dos anjos caídos”, a “ missão dos anjos e arcanjos: o papel dos seres celestes e dos Arcanjos (Miguel, Gabriel e Rafael) como mensageiros, guardiões e guias na história da salvação, e por fim abordou a “luta espiritual e a vitória de Cristo: a presença da providência e o triunfo definitivo de Cristo sobre o mal”, ou seja, um tema extremamente rico na teologia católica.
Daniel e Carolline, começam o tema em seu Instituto de Roma com a seguinte indagação:
Se a reditio completa do Liber de Causis em Tomás de Aquino faz a substância espiritual retornar a si mesma sem esgotar-se na exterioridade, e se a autoconsciência do anjo na Suma Teológica, I, q. 56 é imediata e transparente (mas fixada em um único ato eletivo), em que medida a “libertação” da liberdade de indiferença criticada por Cornelio Fabro e a auto-apropriação de Lonergan evitam que a autodeterminação pessoal (em Wojtyła e Stein) se converta numa nova clausura imanentista, incapaz de distinguir o “dentro” psicológico/ranscendental da habitação teologal descrita por Agostinho (onde o sujeito só possui a si mesmo na exata medida em que se descobre descentrado por Alguém que é mais interior a ele do que ele próprio)?
Daniel e Carolline (2026) afirmam que ao fazer a “definição de pessoa, por mais exata, ainda a descreve por fora, pois, a pedra é, mas não se possui. A pessoa é o único ser que se dobra sobre si mesmo, que sabe que é e se decide a agir”. Dessa forma afirmam eles que o ponto principal é que “ser pessoa não é apenas subsistir, mas possuir-se, isto é, conhecer-se e determinar-se, e que o anjo é a autoposse em estado puro”.
Eles definem ainda que “a interioridade cresce na proporção da imaterialidade, o espírito angélico é todo «dentro», transparente a si mesmo, numa plenitude que no homem permanece velada pela carne e dispersa no tempo”.
O Apóstolo Missionário, São Paulo afirma em Coríntios que a interioridade como ter um «dentro» e a consciência moral como seu sinal. Cf. 1Cor 2,11.
A Liber de Causis, Livro das Causas, exerceu imensa influência sobre pensadores medievais, como Santo Tomás de Aquino, que escreveu um importante comentário sobre a obra em 1272 e Meister Eckhart.
Daniel e Carolline (2026) descrevem que “depois, a reditio completa do Liber de Causis, retomada por Tomás de Aquino como raiz metafísica da autoconsciência, e a interioridade de Agostinho em De vera religione, nos Solilóquios e nas Confissões, como presença a si e abertura a Deus e imagem da Trindade”. Cf. At 17,28.
A temática da autoconsciência angélica é tratada na Suma Teológica, I, q. 56, Karol Wojtyła trata da autodeterminação, autoposse e autogoverno, também é estudado pelos teólogos a crítica à liberdade de indiferença de Cornelio Fabro, a auto-apropriação de Bernard Lonergan, o núcleo da pessoa em Edith Stein e o ato único que fixa o anjo para sempre, afirmam Daniel e Carolline (2026).
É preciso compreender que “a interioridade não é narcisismo”, mas “o caminho em que a pessoa se atravessa e encontra Deus, e por que a liberdade não se mede pelo número de opções abertas, mas pela capacidade de aderir ao bem”, afirmam Daniel e Carolline (2026), o autoconhecimento de si mesmo também é tratado por muitos santos doutores, entre eles São Francisco de Sales em Filoteia e Santa Tereza D”Ávila em Moradas.
Portanto, é necessário enxergar a dimensão magisterial e dos santos doutores que “o anjo, espírito que se conhece sem sombra e decide sem divisão, serve de espelho para a vocação humana ao recolhimento e à posse de si”, para eles “possuir-se é a condição para poder dar-se, e a liberdade angélica consumada como dom de si no amor”.
SALVE MARIA SANTÍSSIMA!
REFERÊNCIAS
ANGEOLOGIA/DEMONOLOGIA.
Pós graduação em Angeologia e Demonologia. Locus Mariologicus/ Faculdade São João Paulo II (FAJOPA)
TOMÁS
DE AQUINO, Santo. Suma Teológica. Tradução de Alexandre
Correia. São Paulo: Paulus, 2001.
TOMÁS
DE AQUINO, Santo. Tratado sobre as Substâncias Separadas.
Tradução de Luiz Astorga. Rio de Janeiro: Sétimo Selo, 2006.
ÁVILA, Tereza de. Castelo interior ou
moradas. Rio de Janeiro: Editora Vozes, 2024.
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