As leituras desta quinta-feira nos colocam diante da famosa afirmação do Eclesiastes: “Vaidade das vaidades, tudo é vaidade.” O autor observa o movimento constante da criação, o sol que nasce e se põe, o vento que gira, os rios que correm, e percebe que, apesar de tanta atividade, o coração humano permanece inquieto, sempre desejando algo além do que o mundo oferece. É um convite a reconhecer que nenhuma conquista puramente humana é capaz de preencher plenamente a nossa sede mais profunda.
O salmo responde a essa inquietação com um pedido sincero: “Ensinai-nos a contar os nossos dias e dai ao nosso coração sabedoria.” Diante da brevidade da vida, não somos chamados ao desânimo, mas à lucidez; a viver com propósito, com consciência de que cada dia é dom e oportunidade de crescer naquilo que realmente importa.
No Evangelho, Herodes escuta falar de Jesus e fica perturbado. Ele percebe que algo novo está acontecendo, algo que escapa ao controle dos poderosos, e pergunta: “Quem é esse homem?” Sua curiosidade, porém, não nasce da fé, mas do medo e da inquietação. Ainda assim, a pergunta dele permanece essencial para nós: quem é Jesus para mim? É essa resposta que dá sentido ao que o Eclesiastes chama de “vaidade”. Quando Jesus ocupa o centro da vida, tudo aquilo que parecia repetição vazia se transforma em caminho, missão e encontro.
Assim, as leituras de hoje nos convidam a reconhecer a fragilidade da vida, a buscar sabedoria para viver bem o tempo que temos e a responder pessoalmente à pergunta sobre Jesus. Quando fazemos isso, a existência deixa de ser vaidade e se torna vocação.
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