Isaías apresenta o Servo de Javé, aquele que escuta a voz do Senhor e não se rebela, mesmo quando é perseguido e humilhado. Ele oferece as costas aos que o ferem e o rosto aos que o insultam, mas permanece firme porque sua confiança está em Deus. Este Servo nos prepara para ver em Cristo aquele que, na Paixão, se entrega totalmente ao Pai e aceita a cruz como caminho de salvação.
O salmo é o clamor do justo que sofre rejeição e insulto, que recebe fel e vinagre em vez de alimento, mas que não perde a esperança, pois sabe que o Senhor escuta os pobres e não abandona os aflitos.
No Evangelho, encontramos o drama da traição de Judas. Ele, que caminhou com Jesus, decide entregá-lo por trinta moedas. Na ceia, Jesus anuncia: “Um de vós vai me trair”, e cada discípulo se pergunta: “Sou eu, Senhor?”. Judas, mesmo tendo decidido trair, finge inocência, e Jesus confirma: “Tu o dizes”. Este episódio nos alerta contra a tentação da infidelidade. Judas não nasceu traidor; foi se afastando do coração de Jesus até se perder. Também nós podemos trair o Senhor quando escolhemos o pecado, quando preferimos nossos interesses ao Evangelho, quando nos fechamos ao amor. A pergunta dos discípulos deve ecoar em nós como exame de consciência: “Sou eu, Senhor?”.
A liturgia de hoje nos convida a entrar no mistério da Paixão com humildade e sinceridade, reconhecendo nossas fragilidades, mas renovando nossa confiança no Senhor que sustenta o Servo fiel e escuta o clamor dos pobres. Caminhemos com Cristo rumo à cruz, certos de que sua entrega é fonte de vida e salvação para todos.

