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A terceira edição da chamada lavagem da catedral de Guarulhos ocorreu em 21 de março | Instagram/Lavagem da catedral de Guarulhos
Por Monasa Narjara
O bispo de Guarulhos (SP), dom Edmilson Amador Caetano defendeu ontem (25) em nota a autorização dada à terceira edição da chamada lavagem da catedral de Guarulhos, ligada a religiões de matriz africana. “Quero lembrar aos católicos, que vivemos sob a orientação do Concílio Vaticano II, que na Declaração Nostra Aetate fala das sementes do Verbo de Deus presentes em todas as expressões religiosas não cristãs, bem como da necessidade de vivermos em espírito de fraternidade com todas as religiões”, disse o bispo. “Além disso, o mesmo Concílio Vaticano II, na Declaração Dignitatis Humanae fala magistralmente sobre o direito da liberdade religiosa a todas as comunidades da sociedade”.
A terceira edição da chamada lavagem da catedral de Guarulhos ocorreu em 21 de março, dia Nacional das Tradições Afro-brasileiras “em um espaço público (mesmo que a frente da igreja pertença à catedral), isto é, um espaço que é comum a todos”, disse dom Edmilson Amador.
“Este ato foi pacífico e respeitosamente combinado com a Igreja, para que não houvesse importunação durante alguma celebração na catedral” e “as portas da catedral permaneceram abertas e o espaço celebrativo católico foi totalmente respeitado”, pontuou.
O Código de Direito Canônico nº 1210 diz que “no lugar sagrado apenas se admita aquilo que serve para exercer ou promover o culto, a piedade e a religião; e proíbe-se tudo o que seja discordante da santidade do lugar”.
“Porém, o Ordinário pode permitir acidentalmente outros atos ou usos, que não sejam contrários à santidade do lugar”, continua a norma.
Manifestações contrárias ao evento
Segundo dom Edmilson Amador, “vários católicos de Guarulhos e de fora de Guarulhos, manifestaram-se contrários ao evento nas redes sociais”, e “algumas manifestações foram ofensivas aos participantes das religiões de matriz africana e aos católicos” por “permitirem tal celebração na porta da catedral”.
“Neste mundo marcado por guerras, até mesmo de origem religiosa, e num país, onde oficialmente no passado oprimiu-se manifestações religiosas não católicas e, hoje, em virtude da chamada laicidade do Estado tenta-se sufocar a maneira de cada religião exprimir publicamente a sua crença, não cabe aos católicos quererem propagar ideias de repressão às religiões não cristãs”, disse o bispo.
Segundo o bispo, “não se tratou de uma celebração inter-religiosa e nem mesmo uma manifestação de sincretismo religioso por parte da Igreja Católica”, mas foi um ato “pacífico e respeitosamente combinado com a Igreja, para que não houvesse importunação durante alguma celebração na catedral”.
“Vivamos em nossas comunidades a nossa fé cristã e católica e sempre que necessário, manifestemos de modo celebrativo nos lugares públicos. Temos direito a isso”, finalizou dom Edmilson.
