quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Quaresma (Diác. Manoel Carlos)

A Palavra de Deus que abre a Quaresma não nos convida a um teatro religioso, mas a um retorno verdadeiro ao essencial. O profeta Joel ecoa como uma voz que atravessa os séculos e chega até nós hoje: “Voltai para mim de todo o vosso coração” (Jl 2,12). Não é um retorno externo, de aparência ou de costume, mas um movimento profundo, que toca o centro da pessoa. Deus não pede vestes rasgadas, mas corações rasgados, abertos, conscientes de sua própria história, limites e contradições. A Quaresma começa quando temos coragem de parar, olhar para dentro e reconhecer: eu preciso de conversão.

O Salmo 50 (51) nos ensina a rezar a partir da verdade sobre nós mesmos. Não é uma oração de quem se sente melhor que os outros, mas de quem se reconhece necessitado de misericórdia. Santo Agostinho, ao comentar este salmo, afirma de modo profundamente atual: “Reconhece-te pecador, para que Deus te reconheça como justo.” É no reconhecimento humilde da própria fragilidade que a graça encontra espaço para agir. Por isso, a Quaresma não é tempo de comparação, nem de julgamento do irmão. São Paulo nos alerta com sabedoria: “Aquele que pensa estar de pé, cuide para não cair.” Quem faz verdadeira anamnese da própria história, isto é, quem lembra, revisita e relê sua caminhada à luz de Deus, aprende a ser mais misericordioso consigo e com os outros.

É nesse horizonte que Jesus, no Evangelho de Mateus, nos apresenta os três exercícios quaresmais como um caminho de integração da vida:

Jejum é eu comigo mesmo. É aprender a governar os próprios impulsos, a silenciar excessos, a rever hábitos que nos escravizam. Jejuar hoje pode significar diminuir o ritmo, controlar o uso do celular, vigiar palavras agressivas, educar o coração.

Oração é eu com Deus. Não como obrigação ritual, mas como encontro vivo. Jesus nos convida a entrar no “quarto”, e esse quarto não é um espaço físico: é o coração. É ali que a verdade aparece, sem máscaras, sem aplausos, sem plateia.

Esmola é eu com o próximo. É sair de si, perceber o outro, partilhar tempo, escuta, atenção e bens. É romper com a indiferença que endurece a alma.

Jesus é claro: quando essas práticas se tornam espetáculo, perdem sua força. A Quaresma não é um rito vazio, mas um processo de transformação interior. Converter-se não é apenas mudar comportamentos externos, mas permitir que Deus renove a mente e o coração, para que nossas escolhas reflitam o Evangelho no cotidiano. Ao iniciar este tempo santo, somos chamados a deixar que a misericórdia nos refaça por dentro e nos impulsione a viver como discípulos de Jesus, com humildade, verdade e amor, no mundo concreto onde estamos inseridos.

Que esta Quaresma seja, de fato, um caminho de volta para Deus e, ao mesmo tempo, de reencontro conosco e com os irmãos.

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