Hoje celebramos o amor mais profundo e transformador que já tocou a humanidade: o amor do Coração de Jesus. Um coração que pulsa por cada um de nós, que se compadece, que busca, que perdoa e que se entrega até o fim.
Na primeira leitura, o profeta Ezequiel nos apresenta um Deus que não delega o cuidado de seu povo: “Eu mesmo vou procurar minhas ovelhas e tomar conta delas” (Ez 34,11). É o próprio Senhor que se faz pastor, que desce até o vale escuro onde suas ovelhas se perderam. Ele não se contenta em esperar que voltem — Ele vai ao encontro delas. Esse é o coração de Deus: inquieto diante da ausência de seus filhos.
O Salmo ecoa essa ternura: “O Senhor é o pastor que me conduz; não me falta coisa alguma.” Mesmo no vale tenebroso, Ele está conosco. O Coração de Jesus é esse cajado que nos guia com firmeza e amor.
Na segunda leitura, São Paulo nos lembra que esse amor não é teórico, mas concreto: “Cristo morreu por nós quando ainda éramos pecadores” (Rm 5,8). O Coração de Jesus é um coração ferido, transpassado, que se doa mesmo quando não somos dignos. É um amor que não espera perfeição, mas que transforma a imperfeição com misericórdia.
E no Evangelho, Jesus nos conta a parábola da ovelha perdida (Lc 15,3-7). Ele deixa as noventa e nove para buscar a que se perdeu. Isso pode parecer imprudente aos olhos humanos, mas é exatamente aí que está a lógica do Coração de Jesus: cada pessoa tem um valor infinito. Ele não se conforma com a perda de nenhum de seus filhos.
Hoje, somos convidados a contemplar esse Coração que arde de amor por nós. Porém, mais do que contemplar, somos chamados a imitá-lo. Que o nosso coração também se torne sensível, compassivo, disposto a buscar quem se perdeu, a perdoar quem nos feriu, a amar sem medida.
Que esta solenidade reacenda em nós a confiança no amor de Deus e nos impulsione a sermos reflexo do Coração de Jesus no mundo.
Amém.

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