Segundo Afonso (2026), São Boaventura (o Doutor Seráfico) e Santo Tomás de Aquino (o Doutor Angélico) ambos doutores da igreja, que criaram grades escolas filosóficas e teológicas, cada qual com seu ponto de vista, porém, em uma mesma unidade.
A principal diferença entre a angeologia de Santo Tomás de Aquino, um aristotélico, e a de São Boaventura, um agostiniano, nos mostra que cada um compreendia epistemologicamente a natureza espiritual e a operação dos anjos diferentemente.
Para Daniel (2026), Biograficamente, Tomás de Aquino ficou conhecido por Doutor Angélico, tendo nascido no ano de 1225, no castelo de Roccasecca, na Itália, embora pouco divergente de Boaventura também chamado de Doutor Seráfico, que nascera em 1218, na localidade de Viterbo, também na Itália. Quanto a angelologia doutrinal, são radicalmente distintos no ponto de partida. Enquanto Boaventura aborda os anjos como objeto de participação mística, espelhos do Verbo na vida do contemplativo, Tomás aborda-os como criaturas a estudar dentro do objeto material da teologia, que é Deus. Ambos, o Doutor Angélico e o Doutor Seráfico são santos doutores da Igreja.
Na visão de Afonso (2026), a angelologia torna-se, assim, exercício de metafísica do ser criado, sapientia creata Dei "a sabedoria criada por Deus". A motivação para este estudo nasce de um período em que dois filósofos Islâmicos ‘Avicena e averós”. Ameaçavam a doutrina e a teologia católica com suas ideias do aristotelismo árabe, ocorridos no Século XIII, com suas 219 proposições que foram condenadas por Étienne Tempier em 7 de março de 1277, bispo francês de Paris durante o século XIII e chanceler da Universidade de Paris, com o intuito de para preservar a onipotência divina”.
Aquinate, como Tomás de Aquino ficou conhecido, por causa da sua origem no Condado de Aquino, na Itália, é a maior autoridade da Escolástica, e que conciliou a fé cristã com a filosofia clássica de Aristóteles. Ele operou na zona fronteiriça entre filosofia e teologia para que o anjo cristão não se dissolvesse na inteligência cósmica necessária dos filósofos.
Afirma ainda Afonso (2026), que em termos de Doutrina, pode ser traduzido como uma arquitetura precisa, já que, “o anjo é forma puramente subsistente, sem matéria, donde imortal por natureza e individuado especificamente, de modo que cada anjo é uma espécie em si”. Também afirma o autor que se “conhece intuitivamente, per species infusas desde a criação, não por abstração de fantasmas; a sua vontade, fixada irrevogavelmente pela primeira decisão, ama Deus mais do que a si mesma”.
A Igreja nos diz que “Cristo é Cabeça do corpo místico que inclui, mas em modo distinto do que é Cabeça dos homens: como os Anjos não são viatores, Cristo não lhes mereceu, e a Encarnação tocou-os apenas acidentalmente, dando-lhes ocasião de cooperar no Corpo Místico”, Afonso (2026).
Quanto as hierarquias, Tomás trás Dionísio, quando distinguem “a universalidade cognoscitiva; a iluminação angélica opera por contração do conceito universal em conceitos mais determinados, e é descendente; a locução é manifestação voluntária do pensamento e pode ser ascendente ou seletiva”. Afonso (2026).
Segundo Afonso (2026), há “cinco ordens (Potestades, Principados, Virtudes, Arcanjos, Anjos) que são enviadas ao mundo, e que a custódia individual cabe à ordem ínfima”.
O significado histórico do Doutor Angélico é, portanto, paradoxal e duplo. Por um lado, vitória defensiva: “Tomás preservou a doutrina patrística contra a dissolução averroística, ancorando o anjo no esquema metafísico essência e existência e subordinando-o radicalmente a Deus”.
Ainda Segundo Afonso (2026), Tomás afirma que “a sobriedade distancia: ao reduzir a comunicação entre anjo e homem ao essencial, ou seja, iluminação adaptada ao modo abstrativo e custódia”, e ainda mais “Tomás traçou a fronteira que Boaventura mantinha porosa. Daí o paradoxo: o Doctor Angelicus foi também aquele que distanciou os anjos dos homens”.
REFERÊNCIAS DA ANGEOLOGIA
Afonso,
Daniel Cerqueira. Angeologia medieval. Pós graduação em Angeologia e
Demonologia. Locus Mariologicus/ Faculdade
São João Paulo II (FAJOPA).
TOMÁS
DE AQUINO, Santo. Suma Teológica. Tradução de Alexandre Correia. São
Paulo: Paulus, 2001.
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