Há uma beleza silenciosa no ministério diaconal. A estola cruzada no peito é sinal de serviço, humildade, entrega. Mas há um outro sinal, muitas vezes esquecido: o silêncio da esposa que compreende, o olhar do filho que espera, o abraço que não pode ser adiado.
A vocação ao diaconato permanente não anula a vocação ao lar. Ela a ilumina, a amplia, a santifica. Mas isso só acontece quando o altar da casa não é negligenciado em nome do altar da igreja.
Não é fácil. Entre a missão e o cansaço, entre o sim para tantos e o tempo que falta para poucos, o coração se divide. E é aí que Deus chama à sabedoria.
A estola não pode sufocar o colo, nem a liturgia substituir a escuta no lar. O serviço ao povo de Deus é santo, mas o serviço à própria família é sagrado.
“Antes de cuidar da Igreja, governe bem a sua casa.” (cf. 1Tm 3,5)
Que cada gesto no altar seja reflexo do que vivemos no lar. Que a estola seja extensão do avental do amor vivido com os nossos. Porque a maior pregação é aquela que ecoa na mesa de casa, no cuidado de cada dia, no silêncio das escolhas fiéis.

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