Essa santa vocação
Do Diácono permanente
Que serve de coração
Não é Padre, nem é leigo
Digo com todo respeito
É ponte, serviço e missão.
No Vaticano segundo
A Igreja redescobriu
O servo é necessário
O diaconato ressurgiu
Não para subir degrau
Nem para ser colossal
É servir como Jesus serviu.
É casado, pai de família
Trabalha com maestria
Pega ônibus, paga conta
Vai à luta dia a dia
Todo dia algo novo
Ele entende do povo
Sua dor, sua alegria.
De manhã está no altar
Com a estola atravessada
Anunciando o Evangelho
Com a voz apaixonada
A tarde o altar é a rua
Realidade nua e crua
Onde a vida é machucada.
Esse homem foi chamado
Pra viver a comunhão
Entre a missa e o trabalho
Entre a fé, unidade e o pão
Essa é a doutrina social
Num caminhar sinodal
De uma Igreja em ação.
O primeiro ensinamento
É a dignidade meu irmão
Todo homem vale ouro
Tem de Deus a proteção
Ninguém pode ser pisado
Excluído ou maltratado
Nem ser tratado como não.
O segundo o bem comum
Que é de todos não é seu
O bem que Deus fez no mundo
Nunca foi só pra o fariseu
Foi para matar a fome
De todos e qualquer homem
O que é dele também é meu.
Tem mais a solidariedade
Que é sofrer junto também
E tal subsidiariedade
Ninguém refém de alguém
É ensinar o povo a andar
Viver a fé e caminhar
Sem depender de vintém.
E tem a participação
O povo precisa falar
Na associação do bairro
Pra o conselho fiscalizar
Fé sem cidadania
É negar a democracia
É deixar o mal imperar.
Cuidado Diácono amigo
Pra não se clericalizar
Ficar só dentro da Igreja
Sem nunca se misturar
Quem só fica no altar
Querendo se exaltar
Não lava pé nem sabe amar.
O teu lugar é no meio
Do pobre e do sofredor
Na casa da viúva triste
Do velhinho que tem dor
Veja como tudo se encaixa
Tu és Cristo que se abaixa
Pra ser o consolador.
Tua mulher e teus filhos
É esse teu primeiro altar
Se em casa não tem serviço
Na rua não vai prestar
Lhe digo aqui sem medo
Santidade começa cedo
No jeito de amar e cuidar.
Meu Diácono da capital
Do agreste e do sertão
Tu és a Igreja em saída
Francisco falou meu irmão
Do lava-pés és o Cristo
Assuma de vez tudo isto
Tenha amor e compaixão.
Que São Lourenço te guie
O nosso Santo padroeiro
Morreu servindo aos pobres
Com um amor verdadeiro
Mostres da Igreja o tesouro
Que não é prata nem ouro
Mas é o pobre brasileiro.
Ao acabar essa leitura
Se tu vier me perguntar
Que faço com tudo isso?
Aqui eu vou te orientar
Vai e serve aquele irmão
Que tá na rua, pé no chão
Pois o altar te espera lá.

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