domingo, 28 de junho de 2026

Um outro olhar sobre o Livro Vinde & Vede: sementes de espiritualidade do Diác. Manoel Carlos

Níveis de discipulado: da multidão à intimidade dos Doze

"O Evangelho mostra que existem diferentes níveis de aproximação a Jesus. Nem todos os que O seguiam podiam compreender o que significava ser seu discípulo. Há primeiro a multidão, que segue Jesus por interesse, curiosidade ou necessidade. São os que buscam o milagre, o pão, a solução rápida, mas não desejam comprometer-se com o caminho da cruz. É uma fé que observa, mas não se envolve.

Depois, encontramos o grupo dos setenta e dois discípulos (cf. Lc 10, 1-20). Eles são chamados e enviados em missão. Já deram um passo além da multidão, escutam, aprendem, anunciam. No entanto, ainda não vivem a experiência plena da comunhão com o Mestre; participam de sua obra, mas não conhecem totalmente o seu coração.

Por fim, estão os Doze Apóstolos (cf. Mc 3, 13-15). A estes Jesus chama para estarem com Ele, e depois os envia. Antes de qualquer missão, o Evangelho destaca a convivência, para estarem com Ele. A intimidade com Cristo é a condição fundamental para o envio. Eles caminham com Jesus, comem com Ele, escutam suas confidências, partilham alegrias e sofrimentos. São os que aprendem a amar como Ele ama. Essa dinâmica do discipulado revela o convite constante que Jesus faz a cada um de nós: sair da superficialidade e entrar na profundidade da amizade com Ele. O verdadeiro discípulo é aquele que deixa a multidão e se torna íntimo do Senhor."

(Trecho do Livro Vinde & Vede: sementes de espiritualidade, de autoria do Diác. Manoel Carlos do Nascimento Silva)

No trecho de hoje, percebemos que o autor nos mostra que cada pessoa se aproxima de Jesus em diferentes profundidades. Há quem permaneça na multidão, buscando apenas respostas rápidas ou milagres, sem desejo de compromisso. Outros já dão um passo a mais, como os setenta e dois, que escutam, aprendem e se colocam em missão, embora ainda não vivam a plena comunhão com o coração do Mestre.

Mas o discipulado verdadeiro aparece nos Doze, chamados a conviver com Jesus antes de qualquer envio. É na proximidade, na partilha da vida e na escuta amorosa que o discípulo aprende a amar como Ele ama.

Pastoralmente, o texto nos convida a reconhecer onde estamos nesse caminho e a permitir que Jesus nos conduza da superficialidade à intimidade. O discipulado não é apenas seguir de longe, mas deixar-se formar pela convivência com Cristo, até que nossa vida reflita o seu amor. É um chamado diário a caminhar mais perto do Senhor.

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