São Policarpo, que segundo Tertuliano, foi ordenado pelo Apóstolo São João, lembra que os Diáconos “são servidores de Deus e de Cristo, e não dos homens”.
A Igreja reconhece que a ordem ministerial foi instituída por Cristo e que desde os tempos apostólicos foi exercida pelos chamados bispos, presbíteros e diáconos (LM 28).
O relacionamento desses três graus se realiza incluindo os aspectos: unidade sacramental e diversidade de funções (LM 20;28).
Os três graus fazem parte de um único sacramento, o sacramento da ordem, e exprimem, de modo oficial e público, o tríplice mistério de Cristo, profeta, sacerdote e rei. Se, de uma parte, a diaconia, a exemplo de Cristo, é comum a toda a Igreja, de modo especial é própria da hierarquia e, nesta, do diaconato. Por esse motivo, desde o início a Igreja valoriza o ofício dos diáconos. Pela imposição das mãos do bispo, ele recebe, publicamente, de modo irrevogável e definitivo, o mandamento e o poder para o serviço. Sua função manifesta, expressamente, que todo o ministério eclesial é diaconia, seguimento e testemunho d’Aquele que veio não para ser servido, mas para servir. A recepção do mandato, através da ordenação sacramental, deve corresponder, da parte do diácono, a prontidão para assumir seu serviço, de modo incondicional e definitivo.
A ordenação significa que o diaconato é um dom feito aos homens pelo Espírito Santo, a fim de que os diáconos se identifiquem a Cristo servidor. O diácono torna-se sinal sacramental da presença e da ação do Espírito Santo, um testemunho do que Ele realiza nas pessoas, na Igreja, na história e no mundo, enviando-nos a dar a vida a serviço dos mais pobres, dos mais necessitados e dos excluídos.
As Constituições Apostólicas, um documento litúrgico-canônico, escrito por volta do século III, orientam que os leigos devem ter grande confiança no Diácono, manifestando-lhe os seus desejos, sem se dirigir diretamente ao Bispo, pois ninguém pode se aproximar de Deus altíssimo, senão através do Messias. Por isso, o Diácono deve ser os “ouvidos, os olhos, a boca, o coração e a alma do Bispo para que o Bispo não tenha que ocupar-se de infinidades de assuntos, mas apenas dos mais importantes, conforme o conselho de Jetro a Moisés”.
Como se pode ver, no começo da Igreja, tanto a pessoa do Diácono, quanto o seu ministério eram tidos em grande estima. Contudo, com o passar do tempo, o prestígio foi se desvanecendo e o diaconato veio a ser apenas um estágio no processo de preparação à Ordem do Presbiterato.
O Concílio Vaticano II, porém, suscitou uma nova compreensão. O Diácono, nesta nova compreensão, antes de tudo, é sinal sacramental do mistério de Cristo Servo e da Igreja servidora. Nesta perspectiva, o ministério diaconal adquire dimensão profética com as seguintes características:
Pela graça recebida na ordenação, o Diácono recebe a missão de renovar na Igreja e à Igreja o convite de Jesus a segui-lo na pobreza, e como ele, a sentar-se à mesa com os pecadores, os pobres, os sem dignidade e os sem esperança.
Ainda nesta mesma visão, o Diácono assume a tarefa de, a partir de situações concretas de conflito, anunciar a Palavra do Evangelho com toda a simplicidade, mansidão e coragem, chamando todos os cristãos à perseverança, para que não troquem o caminho do Evangelho pela eficácia dos meios violentos.
A compreensão do Diácono como sinal sacramental de Cristo Servo e da Igreja servidora, além da dimensão profética, tem outra qualificação: a de servo da comunhão.
O diácono é imitador de Cristo Servo em todas as circunstâncias da vida, na família e no mundo secular. Significa que este ministério não encontra sua fonte apenas na generosidade humana e no desejo de ser útil a outros, mas que se enraíza na caridade que vem do alto.
“O diácono permanente, afirma Santo Domingo, por sua condição de ministro ordenado e inserido nas complexas situações humanas, tem um amplo campo de serviço em nosso continente. Através da vivência da dupla sacramentalidade, a do Matrimônio e a da ordem, ele realiza seu serviço, detectando e promovendo líderes, reestimulando a corresponsabilidade de todos para uma cultura da reconciliação e da solidariedade.... (SD 76-77).
A razão última do diaconato não deve, pois, ser procurada no exercício externo de determinadas funções, mas na participação especial na diaconia de Cristo, na força do Espírito Santo, através de novo sacramento.
O Documento de Puebla não hesita em sublinhar está sacramentalidade: “O diácono, colaborador do bispo e do presbítero, recebe uma graça sacramental própria. O carisma do diácono, sinal sacramental de Cristo-Servo, tem grande eficácia para realização de uma Igreja servidora e pobre, que exerce sua função missionária com vistas à libertação integral do homem” (P 697).
O diácono não é ordenado para si mesmo, nem para se colocar acima dos leigos, nem só para desempenhar funções diferentes dos presbíteros e dos bispos. Através de sua vida e de sua ação, incorporadas à Igreja por meio do sacramento, ele deve revelar uma dimensão especial da diaconia, do sacerdócio e do mistério de Cristo.
O diácono é a expressão do ministério ordenado colocado o mais próximo possível da realidade laical e do protagonismo dos leigos. A Igreja Latino-Americana “Espera dos diáconos um testemunho evangélico e impulso missionário para que sejam apóstolos em suas famílias, em seus trabalhos, em suas comunidades e nas novas fronteiras de missão” (DAp.n.208).
O ser do diácono não pode deixar de influir no agir do diácono. O ministério diaconal não é um dom fechado em si, mas um serviço à comunidade eclesial. Os ministérios do diácono e dos leigos são, pois, diversos, embora mutuamente relacionados. Em outras palavras, a restauração do diaconato permanente não pretende o esvaziamento do laicato. São duas vocações diferentes, ainda que complementares, dentro da ministerialidade da Igreja. O diaconato não implica, portanto, desvalorizar a condição própria do leigo e os ministérios por ele exercidos, mas discernir e acolher um apelo de outra forma de servir.
A mística do diácono é apenas de ser “parábola” do Reino (Mt 13,34-35). Por isso ela requer uma mística da vigilância. Algo que nos ajude a perceber a chegada do Senhor no espaço e no tempo em que não se espera. Trata-se então de estar sempre pronto para acolher as surpresas de Deus (Mt 25,1-13). Pode-se então falar de mística da multiplicação dos talentos recebidos (Mt 25,14-30), prestando muita atenção à presença do Senhor no rosto dos excluídos (Mt 25,31-46).
"O diaconato empenha ao seguimento de Jesus, nesta atitude de serviço humilde que não só se exprime nas obras de caridade, mas investe e forja o modo de pensar e de agir" (L'Osservatore Romano, ed. portuguesa, n. 43 (24/10/93), p 12). Sua fisionomia humana e cristã dadas as exigências da Igreja hoje, sente-se a necessidade urgente de personalidades convincentes e significativas, em nível humano e crente. Que se alimenta da palavra de Deus e que tenha uma espiritualidade e identidade cristã e eclesial e uma vida de fé, uma maturidade de fé, de modo a poder apresentar-se não apenas como mestre, mas principalmente como testemunha digna de fé.
Sua Espiritualidade deve possuir, em forma adulta, o sensus ecclesiae, o sentido e a experiência de Igreja, com atitude interiorizada de pertença, sensibilidade comunitária e consciência apostólica que se alimenta na Eucaristia.
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