Os diáconos permanentes são chamados a encarnar, no coração das comunidades, o que o Papa Leão XIV indicou aos padres: amizade fraterna, proximidade concreta, vigilância espiritual e missionária em meio às armadilhas do nosso tempo.
Diácono, amigo e irmão no clero
O Papa fala de uma “pandemia” de inveja clerical, que rompe relações, gera boatos e destrói pontes de amizade. Para o diácono permanente, isso significa cuidar intencionalmente da comunhão com o bispo, os presbíteros e os demais diáconos, fugindo de comparações, disputas de espaço e ciúmes pastorais. Mais do que reivindicar lugar, o diácono é chamado a ser ponte: aquele que aproxima, pacifica, escuta e ajuda a tecer relações fraternas dentro do clero e entre o clero e os leigos.
O Santo Padre recorda o exemplo de um grupo de padres que, desde o seminário, se reunia mensalmente para rezar, estudar e conviver, permanecendo fiéis a esse compromisso até depois dos 90 anos. O diácono permanente, inserido em sua profissão, família e comunidade, pode inspirar e organizar pequenos grupos estáveis de fraternidade: encontros periódicos de diáconos (e, quando possível, com padres), com oração, partilha da vida, estudo de um texto e um momento simples de convivência. Essa disciplina fraterna é uma resposta concreta ao isolamento e previne rivalidades silenciosas.
Servidor próximo dos jovens
O Papa insiste: é preciso “manter os olhos abertos” para a realidade familiar dos jovens, marcada por crises, pais ausentes, separações e experiências de abandono. O diácono permanente, vivendo muitas vezes situações familiares e profissionais semelhantes às das famílias da paróquia, está em posição privilegiada para compreender essa dor e aproximar-se dela com empatia. Ele não é “mais um jovem entre os jovens”, mas um adulto de fé, cuja vida simples, coerente e fiel torna-se modelo concreto de esperança.
Leão XIV pede para ir além dos jovens que já frequentam a paróquia, organizando saídas, iniciativas, esportes, arte, cultura, para oferecer um novo tipo de experiência de amizade e partilha que conduza à comunhão e, a partir daí, ao encontro com Jesus. O diácono pode coordenar, acompanhar ou animar essas iniciativas, ajudando a criar ambientes saudáveis em que os jovens experimentem relações humanas verdadeiras, em contraste com o isolamento produzido pelo uso excessivo do smartphone e das redes. Sua presença serena, disponível e firme na fé é, por si, catequese silenciosa.
Pastor da proximidade com idosos, doentes e frágeis
O Papa sublinha o valor imenso da vida em todas as suas fases, abordando com clareza a tentação da eutanásia e o desânimo de quem sofre. Ele lembra que nós, ministros ordenados, devemos ser os primeiros a testemunhar que a vida tem sentido, mesmo sob a cruz da doença, da velhice e da solidão. Para o diácono permanente, cuja missão está profundamente ligada ao serviço da caridade, isso se traduz em presença concreta: visitar, telefonar, acompanhar, escutar, levar a comunhão e, quando for de sua competência, colaborar na preparação e presença na unção dos enfermos.
O Papa lamenta que, em muitas paróquias, diante da falta de padres e do aumento de idosos, se tenha simplesmente “mandado os leigos” enquanto o sacerdote corre o risco de ficar em casa diante da internet. Sem desvalorizar o belo serviço dos leigos, o diácono é chamado a ser sinal de que a Igreja não delega o cuidado dos mais frágeis como mero serviço funcional, mas se aproxima deles como Cristo Servo. Sua disponibilidade para “sair de casa” e ir ao encontro dos que sofrem ajuda toda a comunidade a redescobrir a centralidade da visita, da bênção, da oração ao lado do leito e da comunhão levada com reverência.
Diácono no mundo digital: vigilância e autenticidade
Leão XIV alerta para as armadilhas da internet, denunciando a ilusão do exibicionismo digital: muitas visualizações, likes e seguidores podem esconder um anúncio centrado em si mesmo, e não em Jesus Cristo. O diácono permanente, muitas vezes bem inserido nas redes sociais por causa de sua profissão, família e atividades, precisa examinar com sinceridade: o que partilho online leva à mensagem de Cristo ou apenas reforça a minha imagem? Estou evangelizando ou me promovendo?
O Papa também adverte contra a tentação de preparar homilias com inteligência artificial, lembrando que o cérebro precisa ser exercitado e que uma verdadeira homilia é partilha de fé, algo que a IA jamais poderá oferecer. Mesmo quando não é o principal responsável pela homilia, o diácono que prega deve cultivar estudo, oração, meditação da Palavra e conhecimento da realidade local, evitando terceirizar ao algoritmo aquilo que deveria brotar de um coração configurado a Cristo Servo. As ferramentas digitais podem ajudar na organização de ideias ou na consulta a documentos, mas nunca substituir a experiência de fé pessoal e o esforço intelectual responsável.
Vida de oração e estudo no ritmo da vida laical
O Papa insiste que a vida de oração não pode reduzir-se ao “breviário recitado o mais rápido possível no celular”. Para o diácono permanente, que equilibra família, trabalho e ministério, essa advertência é especialmente atual: rezar não é “encaixar” Deus nas brechas do dia de forma apressada, mas reservar, com disciplina amorosa, tempos concretos para estar com o Senhor, ainda que breves e simples. A credibilidade do diácono nasce de uma vida interior autêntica: é da oração que brotam a paciência no serviço, a mansidão nas tensões, a coragem diante das injustiças e a alegria humilde da caridade.
Outro ponto forte é o apelo ao estudo permanente. O Papa se entristece ao ouvir um padre dizer que não abre um livro desde que saiu do seminário. O diácono permanente, que muitas vezes concluiu sua formação inicial em meio a outros compromissos, é convidado a não “estacionar” intelectualmente. Ler a Palavra de Deus com seriedade, estudar o Catecismo e o Magistério, aprofundar temas de moral, família, doutrina social, juventude, liturgia, comunicação, não é luxo, mas condição para servir melhor. Pequenos grupos de estudo entre diáconos e leigos podem ser meios concretos para manter viva essa chama e integrar fé e vida.
Contra o isolamento: criar espaços de comunhão
O Papa insiste em não ficar sentado lamentando “ninguém vem me visitar”, mas tomar a iniciativa: bater à porta, propor encontros, estudo, oração e até um bom almoço. O diácono permanente, muitas vezes mais próximo do cotidiano da comunidade, pode ser grande articulador de pequenos núcleos de convivência: entre casais, entre pais de jovens, entre ministros extraordinários, entre profissionais da mesma área, entre pessoas em situação de sofrimento. Essa capacidade de “juntar pessoas” e favorecer vínculos é um verdadeiro ministério de comunhão.
Ao mesmo tempo, o diácono é chamado a cuidar de sua própria vulnerabilidade ao isolamento. Família, trabalho e serviço podem, paradoxalmente, deixá-lo sozinho interiormente, se ele não cultiva amizades espirituais profundas. Identificar alguns irmãos – diáconos, leigos, presbíteros – com quem se possa partilhar em verdade a vida, as crises, as alegrias, faz parte da fidelidade à vocação. Um diácono isolado se torna cansado, amargo e pouco frutífero; um diácono inserido em relações fraternas torna-se sinal vivo da Igreja como casa e escola de comunhão.
Conclusão
Em síntese, nas palavras dirigidas aos padres de Roma, o Papa oferece aos diáconos permanentes um verdadeiro programa de vida: homens de oração e estudo, amigos entre si, próximos dos jovens e dos idosos, prudentes e missionários no mundo digital, decididos a combater a inveja e o isolamento com a força simples e perseverante da caridade. Que cada diácono permanente, à luz dessas orientações, renove hoje o seu “sim” a Cristo Servo, fazendo da sua vida um Evangelho vivido no meio do povo.
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