quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus (Diác. Manoel Carlos)



Diác. Manoel Carlos (Mano)

A Palavra que hoje nos acompanha é profundamente concreta. Ela fala de bênção, de família, de filiação e de recomeço. Não são ideias abstratas, mas experiências que todos nós carregamos no coração e vivemos no cotidiano.

No livro dos Números (6,22-27), Deus ensina Aarão a abençoar o povo com palavras que atravessam os séculos: “O Senhor te abençoe e te guarde… O Senhor volte para ti o seu rosto e te conceda a paz.” A bênção, aqui, não é um desejo vago ou uma fórmula religiosa. É Deus que se inclina sobre o seu povo, como um pai que cobre o filho durante a noite, como uma mãe que vela o sono da criança. A bênção guarda, protege, orienta e pacifica. Quantas vezes, em nossa vida, tudo o que precisamos não é de uma solução imediata, mas de saber que estamos guardados, que não estamos sozinhos, que alguém maior cuida de nós.

O Salmo reforça essa certeza ao proclamar: “Que o Senhor nos abençoe, e o temam todos os confins da terra.” A bênção de Deus nunca é fechada em si mesma; ela se espalha, alcança outros, transforma ambientes. Uma casa abençoada muda o clima da convivência, uma pessoa abençoada leva serenidade ao trabalho, uma família abençoada se torna sinal de esperança no meio das dificuldades. Quando acolhemos a bênção, também nos tornamos instrumentos dela.

São Paulo, na carta aos Gálatas (4,4-7), dá um passo ainda mais profundo: Deus não apenas nos abençoa de fora, Ele nos faz filhos. “Deus enviou seu Filho, nascido de mulher… para que recebêssemos a adoção filial.” E o sinal dessa filiação é o Espírito que clama em nós: “Abá, ó Pai!” Abá é palavra de intimidade, é o “pai querido”, o “painho” dito com confiança. É a coragem de um cristão que sabe que pode voltar para o colo, que pode chorar, descansar, recomeçar. Num mundo que exige força o tempo todo, Deus nos permite ser pequenos diante d’Ele.

O Evangelho (Lc 2,16-21) nos mostra essa intimidade vivida dentro de uma família concreta. Os pastores vão às pressas e encontram Maria, José e o Menino. Não encontram um palácio, mas um lar simples, cheio de dignidade. Maria guarda tudo no coração; José protege em silêncio; o Menino recebe um nome: Jesus. Ali está a bênção encarnada, a paz prometida, a família como lugar onde Deus escolhe habitar. Isso nos recorda que a dignidade da família não depende da perfeição, mas da presença de Deus no meio dela. É no simples, no cotidiano, que a salvação acontece.

Essas leituras nos convidam a um recomeçar. Um novo ano se abre diante de nós, e com ele vêm expectativas, medos, sonhos e incertezas. A Palavra nos assegura: somos abençoados, somos filhos, temos um lar em Deus. Podemos caminhar com esperança, sabendo que o Senhor nos guarda, que a paz é possível e que sempre podemos voltar ao colo do Pai.

Que este ano que se inicia seja vivido com a confiança de quem se sabe abençoado, com a simplicidade de quem vive a fé no dia a dia, com a coragem de quem chama Deus de painho e recomeça quantas vezes for preciso. O Senhor volte para nós o seu rosto, nos conceda a paz e nos conduza por caminhos de vida nova.


Já que você chegou até aqui, que tal ficar mais bem informado sobre o que acontece na Igreja Católica, clique neste (LINK) e siga o Canal da CAD Natal no WhatsApp, aqui, você fica bem informado.

NOTÍCIAS DA COMISSÃO DIACONAL

NOTÍCIAS DA ARQUIDIOCESE DE NATAL

NOTÍCIAS DA CNBB

NOTÍCIAS DO VATICANO