Em artigo publicado no VinoNuovo (14/01/2026), a professora Miriam Francesca Bianchi afirma que o debate sobre o diaconato feminino revela uma questão mais profunda: a forma como a Igreja distribui poder e reconhece o serviço. Para ela, o verdadeiro problema não é apenas “quem pode” exercer o ministério, mas como o poder é justificado e transmitido.
“O problema não é o diaconato feminino, o problema é a nossa ideia de Igreja”
Miriam Francesca Bianchi – VinoNuovo, 14/01/2026
- Debate polarizado: sempre que se discute o diaconato feminino, surgem posições rígidas e slogans, mas talvez a questão não seja apenas o acesso das mulheres ao ministério, e sim a concepção de Igreja que se mantém.
- Serviço vs. poder: embora o ministério seja chamado de “serviço”, na prática é vivido como poder simbólico e de decisão. Isso explica o receio em abrir espaço às mulheres.
- Reconhecimento insuficiente: o serviço das mulheres é indispensável na vida eclesial, mas raramente reconhecido de forma estável, mesmo quando exercem responsabilidades reais.
- Concílio Vaticano II: trouxe uma visão de corresponsabilidade e dignidade batismal, mas ainda não plenamente assumida.
- Sinal dos tempos: cresce o distanciamento das mulheres, sobretudo jovens, não por rejeição da fé, mas por estruturas institucionais vistas como inadequadas.
- Diaconato como símbolo: tornou-se um emblema das tensões entre autoridade, credibilidade e reconhecimento na Igreja.
- Provocação evangélica: mais importante que discutir “quando” ou “se” haverá diaconisas é repensar como o poder é exercido e transmitido na Igreja.
Em síntese, Bianchi afirma que o verdadeiro desafio não é apenas abrir ou fechar o acesso das mulheres às ordens sagradas, mas converter a própria ideia de Igreja, passando de uma lógica de hierarquia e proteção para uma lógica de corresponsabilidade e serviço autêntico.
Fonte: Instituto Humanitas Unisinos – artigo completo já traduzido
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