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TF1/LCI Gianni, étudiant de 19 ans, a porté secours aux victimes de l'incendie du bar de Crans-Montana en Suisse, la nuit du Nouvel An |
Um incêndio mortal devastou o bar Le Constellation, em Crans-Montana, na noite de Ano Novo, provocando pelo menos quarenta mortos e mais de uma centena de feridos. Enquanto a investigação prossegue, o testemunho de Gianni, de 19 anos, um dos civis que intervieram para prestar ajuda, ilustra a coragem e a solidariedade no centro do drama.
Um ato de grande bravura no meio do horror
“Entramos e começamos a salvar”
Menos de dez minutos após o início do incêndio, por volta da 1h40 da manhã, uma amiga de Gianni dirige-se ao bar Le Constellation.
O incêndio se ampliou rapidamente, em termos técnicos, o chamado flashover, semelhante a uma explosão.
Ao ver devastação provocada pelas chamas, Gianni, que se encontrava nas proximidades, dirige-se de imediato ao local com o pai.
“Assim que chegamos, vemos um enorme movimento de multidão, (…) pessoas por todo o lado, as primeiras pessoas deitadas no chão, com o peito nu, queimaduras, gritos (…)”, testemunhou o jovem ao jornal 20 Minutes, no dia 1 de janeiro.
Vendo a situação, Gianni enfrenta o horror enquanto os meios de socorro tardam a chegar.
Pouco a pouco, chegam os primeiros bombeiros e ambulâncias. Gianni não hesita um segundo. Com um membro da sua família, decide entrar no bar para tentar ajudar as vítimas presas no interior do estabelecimento.
“Tive esse instinto, tal como o meu pai, de pensar que dentro da discoteca sabíamos que havia pessoas muito jovens. E acho horrível ficar a assistir quando vemos crianças de 14 ou 15 anos a arder. Entrámos e começámos a salvar.”
Gianni tem alguma experiência na Proteção Civil e oferece a sua ajuda aos bombeiros, “insuficientes para o número de vítimas”. Começa por ajudar as pessoas que ainda conseguiam deslocar-se apesar dos ferimentos, depois avança para o interior do bar e depara-se com cenas de extrema violência.
“Quanto mais avançávamos, mais surgiam casos extremos. Grandes queimados, que já não tinham rosto nem cabelo. (…) A roupa estava a derreter na pele.”
“Os bombeiros choravam. Era pior do que um filme de terror.”
Para evacuar os feridos, improvisa, com a ajuda de outras pessoas, macas feitas com as estruturas metálicas dos sofás. O adolescente descreve cenas caóticas e escolhas impossíveis.
“Por vezes tínhamos de colocar vítimas no chão e ‘abandoná-las’ para ir buscar aquelas que ainda estavam no interior. (…) Vi muitas pessoas morrerem diante dos meus olhos.”
Em pânico total, corre para buscar cobertores aos bares vizinhos, com temperaturas de -11 graus.
Até às 5 da manhã, Gianni faz tudo o que está ao seu alcance para ajudar as vítimas. O jovem lamenta que tão poucos civis tenham intervindo, “apenas três ou quatro”. Os profissionais, também estavam em choque.
No dia seguinte ao drama, o jovem tem dificuldade em assimilar o que viveu.
“Nenhum ser humano deveria, na sua vida, ver uma situação destas (…) Há quase 48 horas que não durmo”, conclui ao microfone da TF1, a 2 de janeiro.
Missas em memória das vítimas
Na noite de 1 de janeiro, várias centenas de pessoas reuniram-se espontaneamente perto do bar para prestar homenagem às vítimas.
“Este momento de recolhimento foi comovente: centenas de jovens, em silêncio, estavam abraçados, levando flores e velas”, declarou ao site cath.ch o abade Pierre-Yves Maillard, vigário-geral da diocese de Sion.
Missas foram celebradas dia 2, 3 e 4 de janeiro na capela de Crans-Montana, presidida pelo bispo de Sion, D. Jean-Marie Lovey. “Pelo menos 400 pessoas participaram. A igreja estava cheia e alguns fiéis tiveram de permanecer no exterior. Estavam presentes paroquianos e socorristas.” O abade saudou “a presença de todos neste contexto de terrível drama, em profunda comunhão com todas as vítimas, com as famílias ainda sem notícias dos seus filhos, com os jovens, bem como com todas as pessoas envolvidas nos cuidados e no acompanhamento”.
O Papa Leão XIV associou-se “ao luto das famílias e de toda a Confederação Helvética”, indicou o cardeal Pietro Parolin num documento dirigido ao bispo de Sion, a 2 de janeiro. O Papa deseja assim “manifestar aos familiares das vítimas a sua compaixão e solicitude” após a tragédia. O cardeal acrescentou que o pontífice “reza para que o Senhor acolha os falecidos na Sua morada de paz e de luz, e sustente a coragem daqueles que sofrem no coração ou no corpo”.
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