Na primeira leitura, Paulo lembra que “o tempo se abrevia”. Não é uma ameaça, mas um chamado: não absolutizar nada, alegrias, tristezas, conquistas, porque tudo passa. O cristão vive no mundo, mas não se deixa aprisionar por ele. A verdadeira liberdade nasce quando o coração não depende das circunstâncias para permanecer fiel.
O salmo traz a imagem da esposa conduzida com beleza e alegria. É um símbolo da relação entre Deus e seu povo: quem se aproxima do Senhor encontra dignidade, encanto e um lugar preparado com amor.
E no evangelho segundo Lucas, Jesus proclama as bem-aventuranças e os “ais”. Ele inverte a lógica comum: pobres, aflitos e perseguidos são chamados de felizes porque Deus está com eles; enquanto os que se consideram autosuficientes correm o risco de fechar o coração e perder o essencial. Não é uma glorificação do sofrimento, mas a revelação de que Deus está mais próximo daqueles que reconhecem sua necessidade.
A Palavra hoje nos convida a viver com leveza interior, desapego e confiança. Felizes são os que se sabem pequenos diante de Deus, porque neles Ele pode fazer grandes coisas. Que esta consciência transforme nosso olhar, para que busquemos o que permanece e não nos deixemos seduzir por aquilo que passa.
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