Na primeira leitura, vemos Naamã, um homem poderoso, mas marcado pela lepra. Ele buscava uma cura grandiosa, um sinal extraordinário, mas Deus o conduziu à simplicidade: mergulhar nas águas do Jordão. Naamã precisou vencer o orgulho e aprender que a graça não se compra, nem se conquista por rituais pomposos, mas se acolhe na obediência humilde. Naamã começou com um coração endurecido, mas terminou cheio de gratidão ao reconhecer o Deus de Israel.
O salmo de hoje nos faz ecoar essa experiência: “Minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo”. É essa sede que nos move na caminhada quaresmal, é ela que nos purifica e nos liberta. Jesus veio saciar essa sede, mas muitas vezes encontra corações fechados, como os de seus conterrâneos em Nazaré.
No Evangelho, Jesus cita justamente o exemplo de Naamã para mostrar que a graça de Deus não conhece fronteiras. Os de fora, muitas vezes, têm mais fé do que os de dentro. Mas os habitantes de Nazaré, cegos pela familiaridade e pelo orgulho, recusaram-se a ver as flores da salvação diante de seus olhos.
A liturgia de hoje nos faz três convites claros: o primeiro, cuidado com a familiaridade excessiva. Estar dentro da Igreja não significa que já conhecemos Jesus por inteiro. Ele sempre nos surpreende; o segundo, simplicidade. A conversão acontece no cotidiano, nos pequenos gestos, no “banho do Jordão” de cada dia; e o terceiro, abertura ao outro. Deus age onde quer e através de quem quer. Não podemos limitar a ação do Espírito Santo aos nossos critérios humanos.
Querido povo de Deus, a Quaresma é um tempo favorável. O jejum, a oração e a caridade não são fins em si mesmos, mas exercícios que nos ajudam a transformar o coração de pedra em coração de carne. Que possamos reconhecer em Jesus o Mestre da Galileia, aquele que consola e guia nossa humanidade. Que esta Palavra nos conduza à verdadeira conversão, para que, renovados, possamos celebrar a Páscoa com um coração ardente e aberto ao Salvador do mundo.
Assim seja!
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