quinta-feira, 30 de abril de 2026

De advogado a cardeal e maratonista, quem é Jean-Poul Vesco?

© PAOLO GALOSI / Siciliani

Uma vocação, um diálogo aberto com o mundo e a paixão pelas maratonas, assim é a vida de um cardeal 

Quem olha para aquele senhor de 64 anos com aparência saudável que treina nos parques de Argel não imagina a história de vida. Parece um aposentado, mas não é; parece um atleta amador amarrando seus cadarços, mas já disputou maratonas internacionais.

Nascido em Lyon, mas com raízes profundas encravadas no solo montanhoso de Aosta, no norte da Itália, Vesco não começou sua jornada na teologia. Antes de vestir a batina, vestiu a toga. Foi um advogado de sucesso em Paris, circulando pelos tribunais onde a lógica e a lei ditavam o ritmo da vida. Mas o chamado que sentia não estava nos códigos civis. Estava na busca por uma justiça que as leis dos homens nem sempre alcançam. 

Do tribunal ao deserto

A mudança foi radical, como uma curva acentuada em uma trilha de montanha. Vesco trocou os escritórios luxuosos pela simplicidade da Ordem dos Dominicanos. Mas sua missão não o manteria na Europa. O destino era a Argélia, um país de maioria muçulmana, onde a Igreja não busca o poder, mas a convivência. 

Em Argel, ele aprendeu que o diálogo inter-religioso não se faz apenas em congressos, mas no "corpo a corpo" do dia a dia. É a teologia da fraternidade aplicada na prática. Vesco tornou-se uma ponte viva entre culturas. Como arcebispo, ele defende uma Igreja que saiba ouvir, que seja humilde e que, acima de tudo, caminhe junto com o povo — independentemente da crença. 

Essa capacidade de adaptação vem, em parte, da disciplina das maratonas. Jean-Paul Vesco é um corredor de elite entre os clérigos. Já completou provas lendárias como a maratona de New York com tempos que impressionariam profissionais. Para ele, a corrida é uma forma de oração em movimento. É o momento em que o corpo e o espírito se fundem na persistência. No asfalto, como na fé, o segredo não é a velocidade, mas a resistência para chegar ao fim da jornada sem perder a essência. 

A fé que não para

Ao ser nomeado cardeal em 2024, o "advogado-maratonista" levou para o Vaticano o frescor das periferias do mundo. Ele representa a visão de uma Igreja que sai de si mesma. Suas origens, contrastam com sua vida no Norte da África. Essa dualidade o torna um diplomata natural da paz. 

Nas entrevistas, ele mantém a serenidade de quem já enfrentou os quilômetros finais de uma prova de 42 km. Vesco acredita que o cardinalato não é um ponto de chegada, mas um novo ponto de partida. Uma nova maratona que exige fôlego redobrado para lidar com os desafios de um mundo fragmentado. 

Enquanto lemos esse texto, é possível que o Cardeal Jean-Paul Vesco  esteja em algum lugar de Argel, amarrando seus tênis ou preparando uma homilia que fala de amor e tolerância. Ele nos ensina que a vida é uma sucessão de passos. Alguns dados em direção ao juiz no tribunal, outros em direção ao altar, e muitos outros em direção ao próximo, nas ruas poeirentas do mundo. 

O cardeal que corre nos lembra que a fé, para ser verdadeira, não pode ficar estática. Ela precisa de movimento. Ela precisa de fôlego. Ela precisa de coragem para cruzar todas as fronteiras.

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