segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Por que o Papa Leão XIV voltou ao ponto onde tudo começou?

Niceia 1700 anos depois: entre o dogma e a esperança de uma Igreja renovada

Introdução

Em novembro de 2025, o Papa Leão XIV realizou uma peregrinação histórica a İznik, antiga Niceia, por ocasião dos 1700 anos do Primeiro Concílio da Igreja. A viagem, que se estendeu ao Líbano, carrega um forte simbolismo: revisitar o marco da institucionalização dogmática e, em seguida, encontrar-se com um povo resiliente e esperançoso. O gesto papal convida a uma reflexão profunda sobre os rumos da Igreja

O Papa não está apenas visitando um lugar histórico. Ele está voltando ao berço de uma decisão que moldou a Igreja por 1700 anos. Mas por que revisitar esse marco? Que perguntas fundamentais essa viagem desperta?

O Concílio de Niceia, em 325, não foi apenas um encontro de bispos: foi um divisor de águas que transformou um movimento comunitário e libertador em uma instituição marcada por dogmas e poder. Ali, a fé encontrou o império. Ali, a diversidade deu lugar à ortodoxia.


Hoje, eu me pergunto — e convido você também a se perguntar:  quando a Igreja escolhe a “unidade”, até que ponto ela corre o risco de perder a essência do Evangelho?

Ao retornar a Niceia, o Papa parece nos convidar a olhar para essa história com coragem: o que aprendemos com 1700 anos de dogma? E, mais ainda, como podemos recuperar a esperança que brota da simplicidade do movimento de Jesus?

A segunda etapa da peregrinação, ao Líbano, ilumina essa resposta. Entre um povo sofrido, mas resiliente, encontramos sinais de uma fé viva, próxima da realidade, marcada pela fraternidade e pela partilha. É como se o Papa dissesse: “Não basta lembrar Niceia: é preciso reencontrar Jesus na mesa, no abraço, na esperança.”


Niceia: entre o dogma e a ruptura

 O Concílio de Niceia representou uma mudança profunda. Até então, coexistiam duas visões de Jesus:  1. Jesus histórico, próximo da vida concreta, com raízes em Antióquia. 2. Jesus “mítico”, exaltado em Alexandria, símbolo de esperança transcendental.

De alguma forma, esse equilíbrio foi rompido. A imagem dogmatizada de Cristo serviu aos interesses imperiais e reduziu o caráter comunitário e revolucionário do movimento de Jesus. A Igreja passou a adotar estruturas territoriais e sacramentais, distanciando-se da vivência simples das primeiras comunidades.

Hoje, eu me pergunto — e convido você também a se perguntar: quando a fé se transforma em estrutura, ela ganha força ou perde essência?


A imperialização da fé

 Niceia consolidou uma “imperialização” do cristianismo. A recepção dos bispos como senadores imperiais, descrita por Eusébio de Cesareia, mostra a sedução pelo prestígio e pela retórica da corte. A Igreja tornou-se uma “sociedade de corte”, perdendo a espontaneidade e a simplicidade das primeiras comunidades.

Hoje, eu me pergunto — e convido você também a se perguntar: até que ponto a busca por prestígio pode desfigurar uma mensagem de simplicidade e amor?


O poder da imagem e do controle

 O consenso niceano não se construiu sobre fundamentos racionais, mas sobre imagens e símbolos. O Credo, elaborado com base em metáforas evangélicas, tornou-se instrumento de controle clerical, exigindo obediência cega e marginalizando a fé popular, intuitiva e amorosa.

Hoje, eu me pergunto — e convido você também a se perguntar: quando a fé vira fórmula, ela aproxima ou afasta as pessoas?


O contraste com o Líbano

 A segunda etapa da viagem papal, ao Líbano, representa o oposto de Niceia. O país, marcado por sofrimento e esperança, encarna o cristianismo vivido na base, próximo da realidade e da resistência. A visita ao Líbano sugere uma reorientação da Igreja: voltar ao movimento de Jesus, à fraternidade e à comensalidade.

Hoje, eu me pergunto — e convido você também a se perguntar: o que é mais transformador: um dogma escrito ou uma mesa compartilhada?


Conclusão: Entre poder e esperança

 Celebrar os 1700 anos de Niceia não é repetir solenemente o Credo, mas confrontar sua herança e perguntar: qual Igreja queremos ser? Uma Igreja de corte ou uma Igreja de comunidade? Uma Igreja do poder ou da esperança?

A peregrinação do Papa nos lembra que a história não é prisão, mas oportunidade. É tempo de resgatar a essência libertadora do Evangelho, de voltar ao movimento que começou com um carpinteiro e seus amigos, e que continua vivo onde há amor, justiça e partilha.


Que esta viagem nos inspire a acreditar que a Igreja de Jesus pode ser, ainda hoje, sinal de esperança para o mundo.


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