ACN
Notre-Dame de Paris.
Por Paulo Teixeira
O testemunho que resiste ao ódio. A fé de muitos cristãos chegou às últimas consequências e ao derramamento de sangue, conforme afirma o Vaticano.
Ao fecharmos as contas de um ano marcado por conflitos globais e intolerância crescente, os dados divulgados pela Agência Fides revelam uma realidade sangrenta: 17 missionários e agentes pastorais foram assassinados no exercício de suas funções em testemunho da fé. No entanto, para além dos números, o que sobressai é o testemunho de homens e mulheres que, em nome de uma fé encarnada, decidiram não abandonar as periferias geográficas e existenciais do mundo, transformando o martírio no último ato de amor ao próximo.
Testemunho silencioso
A geografia do martírio em 2025 mostra que a violência não escolhe continente, embora a África e a América Latina continuem a ser os cenários mais letais. Segundo a Agência Fides, entre os mortos estão sacerdotes, religiosos, religiosas e leigos. O que une essas trajetórias tão distintas não é a busca por um heroísmo vazio, mas o testemunho de uma presença que incomoda estruturas de pecado, corrupção e injustiça social.
No ano de 2025, de acordo com as informações recolhidas pela Agência Fides, foram assassinados no mundo 17 missionários e missionárias católicos: sacerdotes, religiosas, seminaristas e leigos.
A repartição por continentes evidencia que, no último ano, o número mais elevado de agentes pastorais mortos registou-se na África, onde foram assassinados 10 missionários (6 sacerdotes, 2 seminaristas e 2 catequistas). No continente Americano, foram mortos 4 missionários (2 sacerdotes e 2 religiosas), enquanto na Ásia foram 2 (um sacerdote e um leigo). Na Europa, foi assassinado um sacerdote.
A análise dos dados revela que muitos não foram mortos por grandes perseguições ideológicas, mas por atos de violência comum durante assaltos ou por estarem ao lado de populações vulneráveis em zonas de guerra. Conforme destaca o relatório oficial da Agência Fides: "Onde quer que haja ódio, os missionários levam o amor; onde há desespero, eles levam a esperança. E é precisamente esta luz que, por vezes, as trevas tentam apagar com violência". Esse sacrifício silencioso é a prova de que a missão não é um trabalho burocrático, mas uma entrega total da própria vida.
Semente de mudança
O martírio moderno não deve ser visto apenas como uma tragédia, mas como uma semente de renovação para a Igreja do novo milênio. O testemunho dos mártires de 2025 desafia a apatia de um mundo cada vez mais indiferente ao sofrimento alheio. Eles não são "vítimas passivas", mas protagonistas de uma resistência espiritual que se recusa a responder ao ódio com a mesma moeda.
A reflexão eclesial sobre o tema sublinha que o sangue derramado fortalece a fé das comunidades locais. Como aponta o editorial do Vatican News: "O martírio não é um evento do passado, mas uma realidade vibrante que nos recorda que a fé custa, compromete e salva. Cada missionário morto é uma página aberta do Evangelho escrita com o próprio sangue". Essa percepção transforma o luto em um chamado à ação para todos os batizados, reforçando a necessidade de uma Igreja "em saída".
Testemunho de esperança
Por fim, o legado de 2025 deixa um testemunho de urgência para a diplomacia e para as lideranças mundiais. A morte desses agentes de paz é um grito contra a impunidade e a perseguição religiosa que ainda persiste em diversas nações. Proteger quem serve é proteger a própria dignidade humana.
A Igreja encerra o ciclo de 2025 com o olhar voltado para o futuro, inspirada por aqueles que deram tudo. O testemunho final desses 17 missionários permanece como um farol: em um mundo fragmentado, a caridade continua sendo a única linguagem universal capaz de vencer a morte. Que o exemplo destes homens e mulheres não seja esquecido, mas sirva de bússola para uma humanidade que anseia, desesperadamente, por paz e reconciliação.
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