As leituras de hoje nos convidam a uma profunda conversão interior, uma mudança de vestes espirituais, para que possamos viver como verdadeiros discípulos de Jesus. São Paulo, no início da carta aos Colossenses, nos exorta: “Revesti-vos como eleitos de Deus, santos e amados, de sentimentos de compaixão, bondade, humildade, mansidão e paciência.” Não é apenas uma sugestão moral, mas um chamado à identidade cristã.
Revestir-se de Cristo significa deixar para trás as atitudes que dividem, que ferem, que excluem. É vestir o amor como túnica, a paz como sandálias, e a gratidão como perfume. Paulo nos lembra que o amor é o vínculo da perfeição — não o amor genérico, mas aquele que perdoa, que suporta, que se doa.
E como viver isso, na prática? O Evangelho de Lucas nos dá a resposta, e ela é radical: “Amai os vossos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam.” Jesus não nos pede o mínimo, mas o máximo. Ele nos chama a amar como Deus ama, sem medida, sem esperar retorno, sem distinção.
Amar quem nos fere parece impossível. Mas é justamente aí que o cristianismo se distingue. O mundo diz: “Retribua na mesma moeda.” Cristo diz: “Ofereça a outra face.” O mundo diz: “Não perdoe.” Cristo diz: “Perdoe setenta vezes sete.” Isso não é fraqueza, é força divina. É viver a misericórdia como o próprio Deus a vive.
E por que isso é possível? Porque a Palavra de Cristo habita em nós. Porque somos alimentados pela Eucaristia, pela oração, pela comunidade. Porque o Espírito Santo nos capacita a amar além das nossas forças humanas.
O Salmo 150 é um convite à celebração: “Louve o Senhor tudo o que vive e respira!” Mas esse louvor não é apenas com instrumentos e cânticos. É o louvor que nasce de uma vida transformada. Quando perdoamos, louvamos. Quando amamos sem esperar nada em troca, louvamos. Quando damos sem julgar, louvamos.
Hoje, somos chamados a ser reflexo da misericórdia divina. A amar como Deus ama. A perdoar como Deus perdoa. A viver como eleitos, santos e amados. Que cada gesto nosso seja um hino de louvor, como o salmo proclama. Que cada palavra seja revestida de compaixão. E que tudo o que fizermos, seja em palavras ou ações, que seja feito em nome do Senhor Jesus, dando graças a Deus Pai.
Amém.

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