terça-feira, 9 de setembro de 2025

Quarta-feira da 23ª Semana do Tempo Comum


A liturgia de hoje nos convida a uma profunda revisão de vida, a partir de uma chave essencial do Evangelho: a inversão dos valores humanos diante da lógica do Reino de Deus.

Na primeira leitura, São Paulo nos exorta: “Se ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas do alto”. Essa expressão não é apenas uma metáfora espiritual, mas um chamado concreto à conversão. Buscar as coisas do alto significa viver com os olhos fixos em Cristo, deixando para trás tudo aquilo que nos prende ao egoísmo, à vaidade, à impureza e à idolatria do mundo. Paulo é direto: “Fazei morrer o que em vós pertence à terra”. O cristão é chamado a viver como ressuscitado, mesmo em meio às lutas da vida.

O salmo responsorial reforça essa dimensão de louvor e confiança: “O Senhor é bom para com todos, sua ternura abraça toda criatura”. É esse Deus que nos sustenta na caminhada, que nos acolhe mesmo quando caímos, e que nos convida a viver na verdade e na justiça.

No Evangelho, Jesus proclama as bem-aventuranças e os “ais” — um contraste que revela a lógica do Reino. “Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o Reino de Deus”. Aqui, Jesus não está glorificando a miséria, mas exaltando aqueles que, mesmo na pobreza, confiam em Deus e vivem com o coração desapegado. Por outro lado, os “ais” são advertências aos que se fecham na autossuficiência, na riqueza que exclui, na busca de aplausos e reconhecimento humano.

Essa passagem nos provoca: em que lado estamos? Somos daqueles que se deixam consolar por Deus ou daqueles que buscam consolo nas riquezas e nas aparências? Somos bem-aventurados ou estamos correndo o risco de viver os “ais” que Jesus denuncia?

A homilia de hoje é um convite à autenticidade cristã. Não basta parecer discípulo, é preciso ser discípulo. E ser discípulo é viver com os pés na terra, mas com o coração voltado para o céu. É fazer da vida um testemunho de esperança, humildade e serviço.

Que o Senhor nos conceda a graça de viver como ressuscitados, desapegados do que passa, e comprometidos com o que permanece. Que sejamos bem-aventurados não por mérito, mas por confiança e fidelidade ao Evangelho.

Amém.

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