domingo, 22 de junho de 2025

“Quem dizem que eu sou?” – Entre a Cruz e os Conflitos



Num mundo em que as manchetes gritam mais alto que as orações, o Evangelho deste 12º Domingo do Tempo Comum (Lc 9,18-24) nos convida ao silêncio da escuta. Jesus, em oração, pergunta aos discípulos: “Quem dizem as multidões que eu sou?” Mas logo em seguida, Ele vai mais fundo: “E vós, quem dizeis que eu sou?”

É uma pergunta que atravessa os séculos e chega até nós, em meio a um planeta ferido por guerras, divisões e medo. Hoje, enquanto líderes mundiais tentam conter a escalada entre Israel e Irã, e a Ucrânia ainda sangra sob o peso de uma guerra prolongada, a pergunta de Jesus ressoa com urgência: quem Ele é para nós, neste mundo em conflito?

A Liturgia deste domingo nos apresenta um Cristo que não busca glória política nem domínio militar. Ele é o Messias que se entrega, que sofre, que é transpassado — como nos lembra a primeira leitura de Zacarias (Zc 12,10-11; 13,1). Um Deus que não impõe, mas propõe. Que não domina, mas se doa.

Enquanto potências trocam ameaças nucleares e o Oriente Médio se torna palco de tensões quase apocalípticas, a Palavra nos recorda que o verdadeiro poder está na cruz. Não na cruz da opressão, mas na cruz da entrega. Não na cruz que mata, mas na que redime.

O apóstolo Paulo, na carta aos Gálatas (Gl 3,26-29), nos lembra que em Cristo não há judeu nem grego, escravo nem livre, homem nem mulher. Somos todos um. Essa unidade, tão proclamada na fé, parece cada vez mais distante da realidade geopolítica, onde muros se erguem e alianças se rompem.

Mas talvez seja justamente aí que a Liturgia nos provoca: seguir Jesus não é repetir fórmulas, mas assumir a cruz — a cruz da paz, da justiça, da reconciliação. É dizer “Tu és o Cristo” não apenas com os lábios, mas com escolhas que desafiam a lógica do mundo.

Neste domingo, enquanto o mundo se arma, a Igreja se ajoelha. Enquanto os poderosos ameaçam, o Cristo pergunta. E a resposta que dermos — com a vida, com a fé, com a coragem — pode ser o início de um novo caminho. Um caminho onde Jerusalém não seja apenas um território disputado, mas símbolo de um coração que ama, perdoa e acolhe.

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