domingo, 15 de junho de 2025

A Paz Perdida e a Trindade Esquecida (crônica do Diác. Edson Araújo)

Neste domingo, a Igreja celebra a Solenidade da Santíssima Trindade, um mistério de comunhão perfeita entre Pai, Filho e Espírito Santo. A Trindade nos ensina que a verdadeira força está na unidade, no amor que une sem dominar, que acolhe sem excluir. Mas, enquanto os fiéis rezam pela paz, o mundo insiste em trilhar o caminho da guerra. Os conflitos armados se multiplicam, alimentados por interesses econômicos e políticos que ignoram o sofrimento humano. Governos justificam bombardeios como medidas de segurança, enquanto populações inteiras são deslocadas, crianças perdem seus lares e a esperança se dissolve no barulho das explosões. A paz, tão proclamada em discursos diplomáticos, continua sendo uma promessa vazia.

A Liturgia deste domingo nos oferece um contraponto a essa realidade. O livro dos Provérbios fala da Sabedoria de Deus, presente desde a criação, ordenando todas as coisas com harmonia. Mas o que vemos hoje é o caos provocado pela ambição desenfreada, pela incapacidade dos líderes mundiais de enxergar além de suas próprias fronteiras.

O Salmo 8 nos recorda que Deus confiou ao ser humano o cuidado da criação. No entanto, em vez de proteger a vida, muitos governantes escolhem a destruição. A guerra não é apenas um fracasso político, mas uma traição ao propósito divino de unidade e fraternidade.

Na carta aos Romanos, Paulo nos lembra que a paz verdadeira vem da justiça e da fé. Mas como falar de justiça quando os poderosos lucram com a guerra? Como falar de fé quando a violência se torna rotina? A paz mundial não será alcançada enquanto os interesses individuais prevalecerem sobre o bem comum.

No Evangelho de João, Jesus promete o Espírito da Verdade, que guia e ilumina. Mas há espaço para a verdade no cenário internacional? Quando governos manipulam informações e alimentam o medo, a paz se torna inalcançável. A guerra prospera na mentira, na desinformação e na cegueira moral.

A Santíssima Trindade nos ensina que a verdadeira paz nasce da comunhão, não da imposição. Se os líderes mundiais compreendessem que a força está na unidade e não na opressão, talvez o mundo pudesse finalmente respirar sem o cheiro de pólvora.

A busca pela paz mundial não pode ser apenas um ideal distante. Precisa ser uma exigência concreta, um compromisso de cada nação, cada governante, cada cidadão. A Trindade nos mostra o caminho: a paz só será possível quando o mundo aprender a viver em comunhão, respeitando a dignidade de cada ser humano.

Que esta solenidade nos inspire a rejeitar a lógica da guerra e a construir pontes de diálogo e reconciliação. Porque a paz não é um sonho — é uma escolha.

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