É difícil encontrar melhores referências sobre a Mãe de Jesus do que as que nos foram deixadas por São Luís de Montfort, em especial no Tratado da Verdadeira Devoção a Maria Santíssima. As santas progenitoras de Jesus (Maria Santíssima) e de São João Batista (Santa Isabel) tem um encontro quando seus filhos estão ainda em seus ventres, e o Espírito santo as revela muito sobre este encontro.
Diversos papas
como São João Paulo II, estudaram Montfort, e tanto foi o seu amor que ele em
seu pontificado, criou mais um mistério para o santo terço, pois, seu amor
mariano já superava em muito o que tinha aprendido do santo mariano.
A Congregação
dos Arautos do Evangelho, ao escrever sobre este tema, afirmou que “o Papa João
Paulo II, ainda jovem, encontrou São Luís Maria Grignion de Montfort e aprendeu
com ele a amar a Mãe de Deus”. Afirma ainda que Monfort “é considerado o maior
devoto da Virgem Santíssima”.
Inclusive
João Paulo II escreveu uma carta destinada “às famílias Monfortinas sobre a
Doutrina do seu fundador”, carta esta que viera a tornar-se uma referência
para a congregação, assim disse nosso Santo Padre na carta[1]:
Há 160 anos, foi publicada uma obra
destinada a tornar-se um clássico da espiritualidade mariana. São Luís Maria
Grignion de Montfort compôs o Tratado sobre a verdadeira devoção à Virgem
Santíssima no início de 1700, mas o manuscrito permaneceu praticamente
desconhecido por mais de um século. Quando finalmente, quase por acaso, em
1842, foi descoberto e em 1843 foi publicado, teve sucesso imediato,
revelando-se uma obra de eficiência extraordinária para a difusão da
"verdadeira devoção" à Virgem Santíssima.
Ele próprio
conta a sua experiência pessoal com Montfort, e que começara ainda na sua
juventude, em especial ao ler o TVD (Tratado da Verdadeira Devoção).
Eu próprio, nos anos da minha juventude,
tirei grandes benefícios da leitura deste livro, no qual "encontrei a
resposta às minhas perplexidades" devidas ao receio de que o culto a
Maria, "dilatando-se excessivamente, acabasse por comprometer a supremacia
do culto devido a Cristo" (Dom e mistério, pág. 38). Sob a
orientação sábia de São Luís Maria, compreendi que, quando se vive o mistério
de Maria em Cristo, esse risco não subsiste. O pensamento mariológico do Santo,
de fato, "está radicado no Mistério trinitário e na verdade da Encarnação
do Verbo de Deus (ibid.).
Muitos dos
que foram declarados santos pela Igreja Católica, beberam na fonte do Tratado,
e aprendi eu também com ele que o caminho mais seguro para se chegar a Deus é
por Maria Santíssima.
Afirma ainda
João Paulo II, que do alto da Cruz Jesus dá ao discípulo amado a
responsabilidade de cuidar de sua mãe, conforme escreveu o Evangelista,
"Eis a tua mãe!". E, desde aquela hora, o discípulo acolheu-a como
sua", se ele a recebeu como sua mãe, nós também devemos receber como
nossa, e acolher como a acolheu o discípulo amado, a quem mais confiaria Jesus
a sua mãe, senão a aquele que era “o discípulo amado”
A Igreja, desde as suas origens e
sobretudo nos momentos mais difíceis, contemplou com particular intensidade um
dos acontecimentos da Paixão de Jesus Cristo, referido a São João: "Junto
à cruz de Jesus estavam, de pé, sua mãe e a irmã de sua mãe, Maria, a mulher de
Cleofas, e Maria Madalena. Então, Jesus, ao ver ali de pé a sua mãe e o
discípulo que Ele amava, disse à mãe: "Mulher, eis o teu filho!".
Depois, disse ao discípulo: "Eis a tua mãe!". E, desde aquela hora, o
discípulo acolheu-a como sua" (Jo 19, 25-27).
Tamanha era a sua identificação com
Montfort, que na carta, São João Paulo II afirma que o brasão de seu
pontificado é inspirado no santo mariano:
Como se sabe, no meu
brasão episcopal, que é a ilustração simbólica do Texto Evangélico acima
citado, o mote Totus tuus está inspirado na doutrina de São Luís
Maria Grignion de Montfort (cf. Dom e mistério, págs. 38-39: Rosarium
Virginis Mariae, 15).
Não somente o pontífice, mas, o
colégio dos bispos reunidos por ocasião do Concílio Vaticano II também o
declarou través da sua Constituição LG - Lumen Gentium, & 65, que ao
venerar a Mãe do Redentor reflete-se mais piedosamente o mistério da encarnação:
São Luís Maria propõe com singular eficiência a
contemplação amorosa do mistério da Encarnação. A verdadeira devoção mariana é
cristocêntrica. Com efeito, como recordou o Concílio Vaticano II, "a
Igreja, meditando piedosamente na Virgem e contemplando-a à luz do Verbo feito
Homem, penetra mais profundamente, cheia de respeito, no insondável mistério da
Encarnação" (Const. Lumen gentium, 65).
Tanto amava Nossa Senhora, pelos escritos de Montfort, que
em sua carta o Papa João Paulo II, afirma que “A devoção à Santa Virgem é um
meio privilegiado "para encontrar Jesus Cristo, para O amar com ternura e
para O servir com fidelidade" (Tratado sobre a verdadeira
devoção, 62)”.
Quando Deus nos deixa os santos pare serem nossos modelos,
é exatamente porque nos parece longe conseguir ser como Jesus, perfeito em
vida, santo, e os santos apesar de suas misérias e pecados, conseguiram vencer
a tentação, nos deixando assim uma maior proximidade com eles, que embora não
sejam perfeitos, mas muito se aproximaram da imitação de Cristo.
Em sua carta aborda muitas questões relevante a fé
montfortina, o Papa João Paulo II, afirma que “é ainda na oração à Mãe do
Senhor que São Luís Maria exprime a dimensão trinitária da sua relação com
Deus”, dessa forma a Mãe de Deus e nossa, é saudada por todos aqueles que amam
a Deus, e ele cita os escritos de Montfort novamente: “Saúdo-te, Maria, Filha
predileta do Pai eterno! Saúdo-te, Maria, Mãe admirável do Filho! Saúdo-te,
Maria, Esposa fidelíssima do Espírito Santo!" (Segredo de Maria, 68)”,
Maria Mãe de Jesus goza de privilégios máximos junto a trindade por uma escolha
de Deus, Ela é a cheia de graça, mãe do Filho, esposa do Espírito Santo e filha
amadíssima do Pai, logo, ninguém na Terra obteve de Deus tanto amor e graça, a
santa das santas.
Nos lembra o pontífice na sua carta as famílias, que “São
Luís Maria contempla todos os mistérios da Encarnação que se realizou
no momento da Anunciação”. Logo, é uma obra de muita piedade e devoção, lembra
ele, “assim, no Tratado sobre a verdadeira devoção, Maria é apresentada
como "o verdadeiro Paraíso Terrestre do Novo Adão", a "Terra
virgem e imaculada" pela qual Ele foi plasmado (n. 261)”.
O Papa João Paulo II, diz que “Ela é também a Nova
Eva, associada ao Novo Adão na obediência que repara a
desobediência original do homem e da mulher”. Das virtudes que Maria Santíssima
tem, e não são poucas, algumas devem ser trabalhadas em nós, e a obediência se
destaca bastante, juntamente com a humildade, “Por meio desta obediência, o
Filho de Deus entra no mundo. A mesma Cruz já está misteriosamente presente no
momento da Encarnação, no momento em que Jesus é concebido no seio de Maria”.
Por isto, nos lembra João Paulo II no mostrando a exegese
bíblica que, “o ecce venio, da Carta aos Hebreus (cf. 10, 5-9) é o
ato primordial da obediência do Filho ao Pai, aceitação do seu Sacrifício
redentor "quando entra no mundo".
Profundos são os escrito de São Luís Montfort, segundo o
pontífice em sua carta:
"Toda a nossa perfeição, escreve São Luís Maria
Grignion de Montfort, consiste em ser conformes, unidos e consagrados a Jesus
Cristo. Por isso, a mais perfeita de todas as devoções é
incontestavelmente a que nos conforma, une e consagra mais perfeitamente a
Jesus Cristo. Mas, sendo Maria a criatura mais conforme a Jesus Cristo, tem-se
como resultado que, entre todas as devoções, a que consagra e conforma mais uma
alma a nosso Senhor é a devoção a Maria, sua Mãe Santa, e que quanto mais uma
alma estiver consagrada a Maria, tanto mais estará consagrada a Jesus
Cristo" (Tratado sobre a verdadeira devoção, 120).
Santa Isabel e São Zacarias são os progenitores de São
João, o Batista, e Maria Santíssima gerou em seu ventre por obra do Espírito
Santo, Jesus, o Cristo, e São José foi o pai adotivo de Jesus.
Se Nossa Senhora não sofreu as dores
do parto virginal, seu parto e martírio foi ao pé da cruz, vendo seu filho
sofrer, ser torturado e morto no calvário, afirma São Luis de Montfort no
Tratado da Verdadeira Devoção.
O encontro destas duas santas, e
porque não dizer também mártires da fé, que viram seus filhos serem decapitado
e crucificado, respectivamente, passaram por um martírio branco dos piores
possíveis.
O próprio profeta Malaquias 3,1-7
nos diz quem estará seguro na vinda do Senhor. Já houve uma primeira vinda, que
ainda se teve tempo para uma preparação, na segunda e derradeira vinda não se
terá mais tempo.
2. Quem estará seguro no dia de sua vinda?
Quem poderá resistir quando ele aparecer? Porque ele é como o fogo do fundidor,
como a lixívia dos lavadeiros.
3. Ele se sentará para
fundir e purificar a prata; purificará os filhos de Levi e os refinará, como se
refinam o ouro e a prata; então, eles serão para o Senhor aqueles que
apresentarão as ofertas como convêm.
4. E a oblação de Judá e
de Jerusalém será agradável ao Senhor, como nos dias antigos, como nos anos de
outrora.
5. Virei ter convosco
para julgar vossas questões e serei uma testemunha pronta contra os mágicos, os
adúlteros, os perjuros, contra os que retêm o salário do operário, que oprimem
a viúva e o órfão, que maltratam o estrangeiro e não me temem – diz o Senhor.
6. Porque eu sou o Senhor
e não mudo; e vós, ó filhos de Jacó, não sois ainda um povo extinto.
7. Desde os dias de
vossos pais vos apartastes de meus mandamentos e não os guardastes. Voltai a
mim, e eu me voltarei para vós – diz o Senhor dos exércitos. Vós, porém,
dizeis: Mas voltar como?
Somos obrigados a pensar na Parusia
do Senhor, pois, quando Ele voltar definitivamente, não haverá mais jeito,
teremos pela frente a eternidade, que se dará com Ele ou afastado d’Ele para
sempre. Com quem você quer passar a eternidade?
REFERÊNCIAS
MONTFORT,
Luiz Maria Grinion de. Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem.
PETRÓPOLIS, R. J. RIO DE JANEIRO:
Editora Vozes Ltda. - Segunda Edição, 1943
BENTENCOURT,
Estevão. Cristologia. Rio de Janeiro: Mater Ecclesiae, 2009.
CARTA
ENCÍCLICA, REDEMPTORIS MATER, do sumo pontífice JOÃO PAULO II sobre
a Bem-Aventurada Virgem Maria na vida da igreja que está a caminho. Disponível
em
https://www.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/encyclicals/documents/hf_jp-ii_enc_25031987_redemptoris-mater.html
com acesso em 16 de fevereiro de 2025.
EE - CARTA
ENCÍCLICA ECCLESIA DE EUCHARISTIA DO SUMO PONTÍFICE JOÃO PAULO II.
Disponível no site do Vaticano. www.vatican.va. Acesso em 13 de
fevereiro de 2025.
[1] São Luís Maria de Montfort
e São João Paulo II. Disponível em
www.arautos.org/consagracao-a-nossa-senhora/sao-luis-maria-de-montfort-e-sao-joao-paulo-ii-143820.
Com acesso em 01 de abril de 2025.

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