domingo, 31 de maio de 2026

Segunda-feira da 9ª Semana do Tempo Comum, Memória de São Justino Mártir

A liturgia de hoje nos coloca diante de um caminho de crescimento e de responsabilidade. Na segunda carta de Pedro, ouvimos que a fé, dom primeiro de Deus, precisa ser cultivada até gerar frutos concretos: conhecimento, domínio de si, perseverança, piedade, fraternidade e amor. É como se o apóstolo nos lembrasse que ninguém amadurece na vida cristã por acaso; cresce quem se deixa trabalhar pela graça e quem decide cooperar com ela no cotidiano.

O evangelho, porém, nos alerta para o risco oposto: o de receber tudo de Deus e, ainda assim, fechar-se ao seu apelo. A parábola dos vinhateiros homicidas mostra um povo que recebeu a vinha pronta, cercada, cuidada, imagem da vida, da fé, das oportunidades que Deus nos dá, mas que, tomado pelo egoísmo, recusou-se a entregar os frutos. No fundo, Jesus denuncia a tentação de viver como se fôssemos donos absolutos daquilo que, na verdade, é dom.

Entre o chamado de Pedro ao crescimento e o alerta de Jesus à infidelidade, aparece um convite claro: deixar que a Palavra transforme o nosso coração para que a nossa vida produza frutos verdadeiros. São Justino, cuja memória celebramos, é testemunha disso. Filósofo, buscador da verdade, encontrou em Cristo a resposta que procurava e, uma vez iluminado pela fé, não hesitou em entregá-la ao mundo, mesmo ao preço do martírio.

Que hoje, olhando para a vinha que Deus confiou a cada um de nós, nossa família, nosso trabalho, nossa comunidade, nossos dons, peçamos a graça de corresponder com generosidade. Que a fé recebida se torne amor vivido, e que o amor vivido se torne testemunho que transforma. Assim, a vinha do Senhor dará frutos que permanecem.

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