O evangelho, porém, nos alerta para o risco oposto: o de receber tudo de Deus e, ainda assim, fechar-se ao seu apelo. A parábola dos vinhateiros homicidas mostra um povo que recebeu a vinha pronta, cercada, cuidada, imagem da vida, da fé, das oportunidades que Deus nos dá, mas que, tomado pelo egoísmo, recusou-se a entregar os frutos. No fundo, Jesus denuncia a tentação de viver como se fôssemos donos absolutos daquilo que, na verdade, é dom.
Entre o chamado de Pedro ao crescimento e o alerta de Jesus à infidelidade, aparece um convite claro: deixar que a Palavra transforme o nosso coração para que a nossa vida produza frutos verdadeiros. São Justino, cuja memória celebramos, é testemunha disso. Filósofo, buscador da verdade, encontrou em Cristo a resposta que procurava e, uma vez iluminado pela fé, não hesitou em entregá-la ao mundo, mesmo ao preço do martírio.
Que hoje, olhando para a vinha que Deus confiou a cada um de nós, nossa família, nosso trabalho, nossa comunidade, nossos dons, peçamos a graça de corresponder com generosidade. Que a fé recebida se torne amor vivido, e que o amor vivido se torne testemunho que transforma. Assim, a vinha do Senhor dará frutos que permanecem.

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