Bartimeu é um homem à margem, literalmente sentado à beira do caminho, mendigo, ignorado pela multidão que até tentou silenciá-lo. Mas ele grita. Grita com fé: "Filho de Davi, tem misericórdia de mim!" Não se cala diante dos que o repreendem. Quando chamado, joga fora o manto, tudo que tinha, e corre. Essa é a fé que Jesus elogia: perseverante, corajosa, que não se deixa apagar pelo ruído da multidão.
A primeira leitura de São Pedro nos situa no mesmo movimento. Somos chamados a ser "pedras vivas", edificadas sobre Cristo, a Pedra angular. Não somos uma coleção de indivíduos isolados, mas um "povo adquirido por Deus", uma comunidade sacerdotal e real. E exatamente por isso, que Pedro nos pede que vivamos de forma exemplar no meio do mundo, não como fugitivos do mundo, mas como testemunhas dentro dele.
A cura de Bartimeu é, portanto, mais do que um milagre físico. É o ícone de toda a caminhada cristã: sair da margem, gritar pela misericórdia, jogar fora o que nos prende, deixar-nos chamar por Jesus, e depois, detalhe precioso do Evangelho, seguir Jesus pelo caminho.
Que pergunta nos faz Jesus hoje? "Que queres que te faça?" Talvez valha a pena parar e responder com honestidade, não com o que achamos que devemos dizer, mas com o que de fato clamamos lá dentro.
Que a nossa fé seja como a de Bartimeu: insistente na súplica e pronta para o seguimento.
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