O salmo, então, funciona como a respiração espiritual dessa experiência. O salmista reconhece que, mesmo diante de acusações e perseguições, a alegria está em seguir a Lei do Senhor. Ele pede discernimento, pede que Deus lhe mostre o caminho, que o instrua. É como se dissesse: “Senhor, quando o mundo me confundir, que a tua Palavra seja meu chão”. Essa súplica ecoa a atitude de Santo Estêvão, que não se deixa desviar nem pelo medo nem pela pressão.
E o Evangelho nos conduz ao coração dessa confiança. A multidão procura Jesus porque viu sinais, mas Ele os convida a ir além: não basta buscar milagres, é preciso buscar o próprio Deus. Quando perguntam o que devem fazer para realizar as obras de Deus, Jesus responde com simplicidade e profundidade: a obra é crer naquele que Ele enviou. Crer, não como um ato intelectual, mas como adesão, entrega, caminho. Crer é permitir que a vida seja moldada por Cristo, assim como Santo Estêvão permitiu.
A mensagem que emerge desse conjunto é clara: a fé autêntica nos sustenta nas contradições, ilumina nossas escolhas e nos orienta para o essencial. Em um mundo que muitas vezes valoriza aparências e resultados imediatos, o Evangelho nos chama a buscar o alimento que permanece, a Palavra que guia, a confiança que liberta. Que hoje, ao iniciarmos mais uma semana, peçamos a graça de viver como Santo Estêvão, firmes, serenos, cheios do Espírito, e de responder como o salmista, “ensina-me, Senhor”, para que possamos realizar a obra que Jesus nos indica, crer n’Ele e deixar que essa fé transforme tudo em nós.
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