domingo, 5 de abril de 2026

"Ele viu e acreditou.” (Jo 20,8) Diác. Edson Araújo

Olá, povo de Deus

Hoje é o dia mais luminoso da nossa fé. É o dia em que Deus reescreve a história humana a partir de um túmulo vazio. É o dia em que a vida vence a morte, em que a esperança derrota o medo, em que o amor supera todo ódio. Hoje celebramos aquilo que sustenta tudo o que somos e tudo o que cremos: Cristo ressuscitou! Verdadeiramente ressuscitou! 

A liturgia deste domingo nos conduz ao coração da fé cristã. Na primeira leitura, Pedro anuncia com simplicidade e coragem aquele que transformou sua vida: Jesus, que passou pelo mundo fazendo o bem, foi morto, mas Deus o ressuscitou. Pedro não fala de ideias, mas de experiência. Ele testemunha aquilo que viu, aquilo que tocou, aquilo que mudou sua existência. A ressurreição não é uma teoria; é um encontro. E quem encontra o Ressuscitado não permanece o mesmo. 

O salmo nos convida a cantar: “Este é o dia que o Senhor fez para nós: alegremo-nos e nele exultemos.” Não é uma alegria superficial, mas a alegria de quem sabe que Deus age na história, mesmo quando tudo parece perdido. A pedra rejeitada tornou-se a pedra angular. Aquilo que parecia fracasso tornou-se vitória. A Páscoa nos lembra que Deus é especialista em transformar situações impossíveis. Ele abre caminhos onde não há saída, acende luz onde só havia escuridão, faz nascer vida onde tudo parecia morto. 

Na carta aos Colossenses, São Paulo nos chama a viver como ressuscitados. Celebrar a Páscoa não é apenas recordar um fato antigo; é assumir um novo modo de viver. Se Cristo ressuscitou, então nós também somos chamados a ressuscitar com Ele. Ressuscitar significa deixar para trás aquilo que é morte em nós: o pecado, o egoísmo, o ressentimento, a indiferença, a desesperança. Significa buscar as coisas do alto, permitir que a vida nova de Cristo apareça em nossas atitudes, em nossas escolhas, em nossas relações. A Páscoa não é apenas um dia; é um estilo de vida. 

o Evangelho nos leva ao túmulo vazio. Maria Madalena vai de madrugada, ainda
no escuro. Ela representa todos nós que, tantas vezes, caminhamos na escuridão das dúvidas, das dores, das perdas. Ela chega ao túmulo e encontra a pedra removida. Corre para avisar Pedro e João. Eles também correm. A Páscoa é movimento. Quem ama não fica parado. João chega primeiro, olha e acredita. Pedro entra, observa, tenta compreender. Maria chora, mas será a primeira a ver o Ressuscitado. 

Cada um tem seu ritmo, seu caminho, sua forma de encontrar Jesus. E isso é belo. Deus respeita o tempo de cada coração. Mas todos, sem exceção, são alcançados pela mesma verdade: o túmulo está vazio porque Ele vive. O túmulo vazio não é sinal de ausência, mas de presença. Não é prova de abandono, mas de vitória. A morte não tem mais a última palavra. A última palavra pertence a Deus, e essa palavra é vida. 

Querido povo de Deus, a Páscoa nos convida a olhar para os nossos próprios túmulos: os túmulos das nossas tristezas, das nossas feridas, dos nossos medos, das nossas culpas, das nossas relações quebradas, das nossas esperanças adormecidas. E a ouvir Jesus nos dizer: “Não temas. Eu estou vivo. E estou contigo.” 

A ressurreição de Cristo não muda apenas o destino final da humanidade; ela muda o presente. Ela nos dá força para recomeçar, coragem para perdoar, esperança para continuar, amor para servir. A Páscoa nos envia ao mundo como testemunhas da vida. Em um mundo que tantas vezes parece mergulhado na morte, morte moral, espiritual, social; nós somos chamados a ser sinais de vida, sinais de luz, sinais de esperança. 

Hoje, ao celebrarmos a vitória de Cristo, peçamos a graça de também ressuscitar com Ele. E que a alegria pascal ilumine nossas escolhas, cure nossas feridas, renove nossa fé e transforme nossa vida. Que possamos sair desta celebração como homens e mulheres novos, portadores da certeza que sustenta a Igreja desde o primeiro dia: Cristo ressuscitou! Ele está vivo! E caminha conosco! 

Assim seja!

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