São Sebastião, padroeiro de Jucurutu
| Pe. João Medeiros Filho Arquidiocese de Natal |
São Sebastião é muito cultuado no Ocidente, inclusive no Brasil. Nasceu em Narbona (sudoeste da França), provavelmente no ano de 256 e, pouco depois, seguiu com os pais para Milão. Ali, cresceu na fé cristã, tornando-se também um respeitado capitão da guarda do imperador romano. À época, não havia liberdade religiosa. Os cristãos eram perseguidos, presos e martirizados. As autoridades não sabiam que Sebastião era um deles. Como tal, conseguiu ajudar muitos prisioneiros, doando roupas, alimentos e animando-os a perseverarem na fé. Converteu ao catolicismo vários detentos. Possuía poderes miraculosos. Seus biógrafos descrevem o caso da cura de uma mulher deficiente auditiva. Vários milagres foram realizados por sua intercessão, mormente quando pestes e calamidades atingiam as cidades da Europa medieval. Com a sua proteção populações inteiras foram poupadas ou salvas de enfermidades.
Ao descobrirem que Sebastião era cristão, amarraram-no a uma árvore, recebendo flechadas e sendo abandonado. Sobreviveu aos ferimentos. Santa Irene cuidou dele até ficar totalmente curado. Após recobrar a saúde, retornou às ações de caridade, tendo sido novamente preso. Desta vez, o imperador decretou o seu martírio. Sebastião é um exemplo de perseverança e coragem, diante dos obstáculos e provações da vida. Devemos ressaltar seu empenho em fazer o bem anonimamente, aproveitando as circunstâncias para semear alegria, consolo e ânimo junto ao próximo. Tinha consciência de que, uma vez descoberta a sua crença religiosa, ele seria martirizado. Sua autenticidade e capacidade de servir são notáveis e devem ser imitadas.
A história mostra-nos que a devoção ao Santo de Narbona – patrono de várias paróquias e dioceses brasileiras, começando pelo Rio de Janeiro – está presente em muitas localidades de nosso país. Ao longo dos séculos, é invocado contra a peste, a fome e a guerra. Quando surgiam epidemias e catástrofes, crescia o seu culto. Na zona rural brasileira, foram muitos os votos ao santo mártir, pedindo-lhe proteção contra as secas, que assolam o Nordeste, ao longo dos anos. Santo Ambrósio, bispo de Milão, tecia elogios sobre esse oficial do exército romano. No seu túmulo, em Roma, ergueu-se uma basílica, perpetuando seu heroismo e memória. Sua morte deu-se entre 284 e 303, sendo imperador Diocleciano, o qual perseguiu muitos cristãos e sacrificou vários mártires do catolicismo. Sua figura, crivada de flechas, foi imortalizada pelos artistas renascentistas. É esta a imagem que possuímos na iconografia do catolicismo ocidental.
São Sebastião é um santo da atualidade. Devemos pedir-lhe ajuda contra a violência cotidiana que faz vítimas indefesas e inocentes. Necessita ser invocado contra a peste hodierna das drogas, ceifando vidas. Nos dias atuais, supliquemos sua proteção contra as pandemias de Covid-19 e influenza com as suas variantes. Urge, pois, rogar sua intercessão contra outros males: mentiras, injustiças, ódio, corrupção, radicalismo e tantos que assolam atualmente a nossa pátria. São Sebastião afirmou, com muita convicção, ao ser interrogado pelo imperador: “Antes de ser oficial do Império Romano, sou filho de Deus e soldado de Cristo”. Tais palavras retratam sua personalidade, coragem e fé. Legou-nos preciosos ensinamentos e valores fundamentais. Por seu testemunho e martírio, faz-nos recordar as palavras do Apóstolo Paulo: “Para mim o viver é Cristo.” (Fl 1, 21).
